A vida é de uma simplicidade que quase sempre ignoramos.
Não quero ser fatalista ou outras coisas parecidas, dizendo que as coisas são porque tem que ser. Longe de mim.
O ser humano, entretanto, quase sempre possui uma qualidade que é, hoje para mim, incrivelmente irritante. Enxergamos conexões em tudo. Na maioria das vezes as conexões que enxergamos não existem. Não representam nada de fato. É por isso que as pessoas se magoam mutuamente, o tempo todo. Ainda tenho que voltar ao papo das frustrações. É verdade. Mas pense nisto primeiro. Se encararmos as coisas pelo que simplesmente demonstram ser, ao invés de estarmos constantemente buscando significados ocultos, quanto sofrimento estaremos negando a nós mesmos?
Não é só isso. Tem mais. Eu estou neste instante me sentindo incrivelmente incapaz de expressar a totalidade desta ideia. Preso pelas palavras.
Se você acha que entendeu, diga ai.
Tenho muito mais a discorrer sobre isso.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Fácil, extremamente fácil
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sábado, 9 de agosto de 2008
Retificando
Agora que um post já foi comentado e lido eu não vou retificá-lo. Confesso que não expressei tudo que queria, tão bem explicadinho. O comentário é bem próprio. De fato. Os livros contam muito bem a essência que a maioria das pessoas escolhe, muitas vezes por pura ignorância.
O problema é que a maioria dos filósofos coloca as situações como verdades incontestáveis da humanidade. Sou humano e não gosto de ser rotulado. O existencialismo me acalenta porque mostra que temos uma escolha.
Não posso negar que a humanidade anda desinformada. Os outros filósofos já sabiam, claro.
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quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Leituras obrigatórias
Por Guilherme de Moraes Alvarez
Ler sobre a vida, filosofia e estórias profundas sobre como é complicada a relação entre os seres humanos é inevitavelmente chato. Por melhor face que se dê a estória, como no ótimo livro de Kundera (leia), por mais atraente que seja a escrita e maior a vontade de saber como a estória termina, não podemos deixar de nos sentir decepcionados. Por isso que eu prefiro ler Harry Potter.
Estou lendo o último Harry Potter de novo. Em português desta vez (e não consigo deixar de sentir que a coisa toda fica incompleta traduzida, creio que seja falta de talento do tradutor; eu teria traduzido melhor).
Estou quase terminando e a única coisa que sinto é uma grande vontade de continuar lendo. O livro vai terminar e eu não quero que termine. Na primeira vez que li fiquei vários dias deprimido. Me perguntei muito tempo por que eu tinha aquela reação boba. No fundo, eu queria ter um propósito.
Tolice. Se eu quero um propósito eu só preciso escolher um. Sim, mas é mais fácil falar do que fazer. Já escolhi propósitos. O problema é absorver a importância do propósito de forma a fazer com que se torne uma motivação ao invés de um fardo.
Os livros realmente respeitados são tristes porque nos mostram como as pessoas estão constantemente se magoando. Eu não quero o que eles têm pra me mostrar. Eu cansei de pessoas se magoando. O que eu quero é Harry Potter. Famílias que se amam. Pessoas que cuidam de suas vidas sem criar problemas que não existem, sem tentarem impor sua visão aos outros, pessoas que juntam para fazer coisas agradáveis e serem felizes. Pessoas que sentem prazer sem reservas ao se verem. É isso que falta no mundo.
Não posso ser realmente existencialista se me curvo diante da imagem que os melhores livros trazem do mundo e das pessoas. Aquele que escolhe a sua própria essência não se curva quando um livro lhe diz que sua natureza é mentir, mudar de idéia bruscamente e magoar as pessoas. Um existencialista sabe que estão todos errados, sabe que somente ele pode criar sua essência.
A minha essência é ficar feliz com quem eu amo. Ver as pessoas e sorrir. Só isso.
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segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Retroalimentação
Tenho ficado sem escrever. Gostei dos comentários ao último post. Opiniões bem distintas surgiram. Eu tive muito o que pensar. Estamos evoluindo, então.
Estou lendo um pouco mais de Nietzsche.
Antes de continuar com nosso projeto filosófico eu vou pesquisar. Quem estiver suficientemente empolgado pode descobrir como funcionam os Inibidores Seleteivos de Recaptação de Serotonina para entender um dos seus efeitos colaterais: diminuição dos níveis de dopamina. O ideal é descobrir formas não farmacológicas de manipular estes níveis. Mais ideal ainda seria descobrir que mudança na alimentação seria ideal para este propósito. Isso, claro, num plano ideal.
Meu escassíssimo conhecimento de neuromedicina me diz que diminuir os níveis de dopamina deve acentuar o déficit de atenção.
Preciso descobrir como funcionam os receptores pós-sinápticos 5-HT2 e 5-HT3 e como fazer para estimulá-los ou não.
De qualquer forma, eu vou descobrir.
Em breve mais filosofia.
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quinta-feira, 17 de julho de 2008
Jardim do diabo
Por Guilherme de Moraes Alvarez
Quero ver se escrevo coisas consistentes, pra variar. Cada post falando num assunto novo sem terminar os anteriores me frustra um pouco.
O que significa que eu tenho que ler o Crônicas. Complicado.
De qualquer forma, tem que ser feito, já que decidi fazê-lo. Vou ler posts passados e discorrer mais adequadamente sobre cada assunto. Tem coisas que não merecem ser relembradas, posts que não disseram nada, exageros em geral; mas tem um bocado de coisas que podem nos aproximar um pouco mais do nosso humilde objetivo: felicidade (e o fim dos clichés).
Começando pelo primeiro problema de todos os seres humanos: frustração. É a primeira coisa que acontece e a última coisa que vai acontecer na vida de qualquer um. Devemos estabelecer a importância do fenômeno. A dialética a ser usada por nossa filosofia é a seguinte (se é que isto pode ser chamado de dialética): a ausência do fenômeno estudado leva à extinção do sofrimento? Se leva, parabéns, descobrimos o segredo da felicidade. Se não leva, passamos para o próximo passo: o fenômeno pode sozinho causar sofrimento? E por aí vai. Não vou explicar o método até o fim. Para que serviria um filósofo se seu método de pensamento fosse facilmente replicável? E você vai entender a medida que o raciocínio é montado.
Sempre que pensadores se debruçam sobre uma questão alguém pergunta: mas o que é tal coisa (o que é frustração)? Em seguida eles discutem e discutem até chegar numa definição perfeita da coisa que não serve para nada. Conceituar frustração não nos tem nenhum valor. Devemos trabalhar com os padrões de linguagem e com as definições corriqueiras, a primeira coisa que vem na mente. Se não o fizermos, criaremos uma filosofia que resolverá os problemas de um ser impecavelmente conceituado que não existe.
Frustração então não é uma palavra mágica que invoca significados universais. Frustração é perder o emprego, ver cancelado um programa com os amigos, perder uma partida de xadrez, perder o ônibus. Está sempre conectado com uma expectativa (que é o sujeito passivo das orações: a expectativa de subir no ônibus na hora certa foi frustrada).
Tudo isso nos leva à melhor parte. Pense comigo: nenhuma frustração significa nenhum sofrimento?
Pense bem.
Comente aqui. Eu quero saber o que você descobriu.
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segunda-feira, 7 de julho de 2008
A insustentável leveza de ser
Por Guilherme de Moraes Alvarez
Então, lá vai.
O que sempre me causou agonia é a falta do que fazer com a vida que levamos. Então a pessoa se apaixona e isso fica completamente de lado (e a alimentação). Mais tarde os amores não são correspondidos e a agonia fica insuportável. Neste ponto os objetivos se tornam vitais.
Mais legal ainda é ter uma missão. A insustentável leveza de ser (que estou lendo) é exatamente a falta de uma missão. Os mestres Jedi não tinham mais com o que se preocupar além de sua missão. Eram felizes (depois veio a guerra e o imperador mandou matar todos eles, mas isso é detalhe). Na falta de uma missão alguns de nós se deparam com a leveza de ser o que quiser, que é insustentável. Eu, pelo menos, acho muito difícil. Por isso que ao terminar de ler os livros eu fico me sentindo vazio. Creio que todas as pessoas que sofrem dessa solidão compulsiva sentem a mesma coisa.
Falei tanto de ser feliz e não sofrer e de se relacionar com as pessoas e dispensei os outros filósofos porque não resolveram o problema de ninguém, mas não consigo resolver o meu problema. Só me resta a serenidade, como sempre.
Todos os filósofos são assim: um cara que pensa demais, se sente muito sozinho (carente), mas não tem coragem de se matar. Acho que mulheres não passam por isso, daí a falta de filósofas.
Eco-chatos e super direitos feministas não contam. Não é filosofia.
Ainda acho que meus conselhos são bem formulados. Siga eles se quiser ser feliz. Vou realçar em negrito os pontos-chave da minha vida até agora e basta fazer o contrário. Não tem erro.
Qual é o objetivo então? A missão?
Bem. Primeiro eu tenho que ganhar dinheiro. Se eu passar fome não adianta nada. Isso é um objetivo. Uma missão é alguma coisa que ajude as pessoas. Isso é que dá muito prazer para uma pessoa como eu. Na falta da realização própria se realiza pela felicidade dos outros, desde que não esteja passando fome. Ou algo assim. Mais tarde vou achar estas palavras muito fortes.
O filósofo se sacrifica para que as pessoas possam aproveitar as coisas pequenas de que a felicidade é feita, porque ele próprio é incapaz de fazê-lo. No fundo, todo filósofo tem uma missão desta forma. Posso estar errado (por favor). Posso não ser filósofo. Tenho esperança nisso. Afinal, tudo que aprendi até hoje me deu uma boa ideia de quão grande é minha ignorância. E como é grande. Na luta diária pela sabedoria (que espero adquirir antes de ser muito tarde) gostaria de descobrir que não sou carente e que não preciso de ninguém. Não preciso fazer cafuné ou um almoço especial. Não preciso ser engraçado e prestativo (minhas formas de compensar meus defeitos que cedo ou tarde decepcionam as pessoas e me afundam na depressão). Seria muito bom. Ou gostaria de ver alguém que eu ame todos os dias e continuar sendo engraçado e prestativo (para compensar apenas pequenas coisas que não machucam ninguém). Qualquer hipótese serve para mim e para os outros filósofos. É uma pena que não vai acontecer. O filósofo paga em sofrimento por não ter respostas para a humanidade. A humanidade que não liga para os filósofos e até os despreza um pouco (como os X-MEN). Um dia eu terei respostas. Esta é a minha missão, eu acho.
Complete todas as minhas frases com "eu acho"/"ou não".
Mal terminei de escrever e já estou achando minhas palavras muito fortes. Afinal, esqueça tudo. Pare de ler esta porcaria e vá no cinema com alguém ou coma uma coisa gostosa. Ligue pra mim se não tiver companhia.
Outra hora eu escrevo filosofia de verdade.
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sexta-feira, 20 de junho de 2008
Atualize-se!
Então!
Se você usa o Firefox preste atenção no iconezinho laranja do lado direito do endereço da página.
Clique nele e confirme a perguntinha.
Ative sua barra de favoritos (caso esteja desativada). Clique em Exibir->Barras de Ferramentas->Favoritos.
Pronto! Agora você tem um botão Crônicas e Saudades que se atualiza automaticamente toda vez que eu escrevo alguma coisa aqui. Clicando nesse botão você verá um menu com todos os títulos dos posts. Basta clicar no post para lê-lo numa nova aba.
Super legal, não é mesmo.
Eu não tenho o Crônicas na minha barra de favoritos. Mal exemplo, mas eu tenho o Kibe Loco, Vagas de Emprego em Porto Alegre e BBC Brasil. O Informaçã eu acabei de colocar.
Vá em frente e coloque seu blog favorito na barra (se não for o Crônicas seu favorito).
Em breve filosofia.
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terça-feira, 3 de junho de 2008
O ateu e o sábio
Por Guilherme de Moraes Alvarez
Pois, bem. Os seres humanos são muito engraçados.
Estava lendo Sartre agora há pouco (sério? imagina!) e resolvi falar de algumas coisas que eu não tinha falado ainda.
Quem viu as sequências de Matrix e não entendeu batatas e ainda achou ruim o final não prestou muita atenção. O que todo mundo queria mesmo era pancadaria e ver a Trinity. No final do Reloaded tem um super diálogo entre Neo e o Arquiteto. O Neo não entende nada, como todo herói e o Arquiteto tenta explicar, mas como o filme não pode ter cinco horas de duração ele fala tudo muito rápido. Eis um resumo:
'Você (Neo) está aqui porque tudo foi arranjado para você estar e agora você deve, de acordo com o que já aconteceu antes nas outras iterações da sua existência, ser reabsorvido pelo sistema (enviado pra lixeira) e a anomalia que vive no seu cérebro desaparecerá até os erros começarem de novo, quando um novo Neo surgirá. Entretanto, agora as coisas são um pouco diferentes, você tem um bocado de habilidades a mais que os outros Neos não tinham e você está bem relutante (por causa da trinity, que estava morrendo naquela hora). Como você bem colocou, o problema é a escolha.'
Neo então escolheu salvar a Trinity e acabar com tudo. Bem feito pro Arquiteto. O que aconteceu foi um clássico existencialista. Matrix é cheio de filosofia, pra quem não tinha notado. Neo estava confrontado com a escolha e não tinha nenhum parâmetro, nenhuma moral superior, nenhuma crença, nada que decidisse por ele. A decisão era dele e somente dele e seria determinante para a vida de todas as pessoas e a existência de todas as máquinas, só que com a literalidade que a ficção traz para as coisas.
O problema é escolher.
A vida é um tanto irônica para nós. Acho que é um lance natural para seres que pensam. Estes dias me aconteceu um lance super irônico que me deixou bem irritado, mas passou. Se você se esforçar demais vai acontecer tudo ao contrário.
A ironia maior da vida é que tudo é muito bonito, mas temos que escolher. Esta é a angústia do existencialismo. Temos que escolher, e isso é um saco. Não é só isso. Estamos sozinhos e damos à vida o significado que queremos. Isso também é difícil de aceitar e quase todas as pessoas se escondem nas ideias de destino e poderes superiores para se esquivar da responsabilidade de escolher as essências de suas vidas, suas naturezas, o seu sentido. É ruim acordar e perceber que a vida não tem sentido, que não existe uma única razão para continuar vivendo. Existe apenas o que escolhemos que exista. A razão para viver é a que escolhemos que seja. É difícil, mas não podemos nos esquivar da responsabilidade. Eu não posso desaprender a pensar e viver na ignorância para ser feliz. Mesmo que pudesse, aprenderia tudo de novo e não adiantaria nada.
Escolher é inexorável. Mesmo que eu decida não escolher, já estarei nisso fazendo todas as escolhas.
E por que isso é tão ruim? Porque estamos sempre abandonando coisas boas a cada escolha que fazemos. E qual o problema nisso? Frustração.
O sofrimento é o prazer que deixa de ser. Isso pode ser dito de várias formas. Escolha a que mais te agrada. A frustração pode ser o próprio sofrimento. Cada vez que escolhemos alguma coisa estamos nos frustrando por ter perdido outra. Somos impotentes em relação a isso, e impotência é muito ruim. O sofrimento é em nós como nas crianças. Neste ponto nunca evoluímos. Queremos algo. Algo não acontece. Sofremos. Queremos algo e algo. Temos que escolher. Sofremos.
Acho que dá para entender. Se não der, leia daqui a uns cinco dias.
Existe solução? A pergunta que não quer calar. Eu pensava que não. Mas agora penso que sim.
Sempre posso estar errado. Sempre posso mudar de ideia. Não tenho compromisso com o erro. Acho que a solução é a seguinte: abandone tudo que você tem medo de perder. Simples falar, difícil fazer. Há duas formas que eu enxergo de cumprir isso. A primeira é literalmente. Abandone o que você tem medo de perder. A segunda é mais poética. Abandone o medo de perder. Como isso? Vamos lá.
Todas as coisas são substituíveis. Apenas a vida é insubstituível e a morte é a única certeza. Até mesmo estas afirmações podem ser enganos. Assim sendo não podemos nos atrelar ao que nos rodeia. O que somos está marcado em nossas escolhas. Não somos nada além do conjunto de nossas escolhas, tudo que fizemos. Não somos o que deixamos de fazer. Não somos o que poderíamos ter feito. Acima de tudo, não somos o que temos. Podemos viver sem comida? Podemos viver sem amor? Se assim quisermos, talvez. Em princípio, não. Entretanto, não comemos todos os dias a mesma comida. Não usamos sempre a mesma roupa, não vivemos sempre no mesmo lugar. Nem mesmo pensamos sempre as mesmas coisas. Desta forma não devemos temer a perda de coisa alguma. Sempre teremos outras coisas para pôr no lugar. Das coisas que perdemos devemos apenas guardar boas memórias. Das coisas que vamos perder devemos apenas procurar boas memórias. Devemos abandonar o que não se pode substituir e substituir o que se pode, quando chegar a hora. O problema é escolher. Eu escolhi abandonar tudo que tenho medo de perder.
O lado bom é que existem coisas que não temos medo de perder, como o amor de um grande amigo. Estas são as melhores coisas da vida. Tenho dois conselhos sobre isso:
1. ouça seus próprios conselhos.
2. conserve as grandes amizades.
Como aquela música dos Beatles: "I get by with a little help from my friends".
No fim das contas um ditado popular resume tudo brilhantemente. Nem sei para que servem os filósofos.
"Viva hoje como se fosse seu último dia."
Eu reescreveria:
"Viva este mês como se fosse seu último mês."
Acho mais apropriado.
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segunda-feira, 26 de maio de 2008
A idade da razão
Por Guilherme de Moraes Alvarez
Por que as pessoas se suicidam tanto na Suécia?
Sim, como o feliz comentarista do Crônicas apontou há alguns dias, pode ser porque eles não sabem que são felizes. Eu imagino, claro, outra hipótese, também: eles não sabem se relacionar. Isso, naturalmente, pode ser resultado de uma vida fácil demais, mas eu imagino que seja, na verdade, uma característica cultural muito forte. As pessoas criaram um costume de viver longe umas das outras, de não formar laços. Um perigo que também corremos. As pessoas tendem a se aglomerar e se relacionar muito mais quando precisam de ajuda mútua em situações práticas. Assim, passar dificuldade une as pessoas.
Leia Harry Potter.
No mundo do Harry Potter as famílias são unidas. As pessoas cuidam umas das outras. Eu já falei disso aqui. Hoje mesmo, na viagem de ônibus até meu presente local de digitação (casa da minha prima), eu senti grande agonia pela solidão e pensei nisso, e lembrei do Harry Potter.
Pensar abstratamente resolve o problema da perspectiva. Podemos não saber como é passar dificuldade e mesmo assim saber apreciar como as coisas são boas para nós. Ainda, entretanto, temos que resolver o problema das relações entre as pessoas. Já falei disso também aqui. Devemos saber nos afastar. Este é o problema principal nas relações: querer que a pessoa seja igual a si.
Não vou me extender. O comentarista, por favor, deixe o nome. Estou curioso da sua identidade, e gostei das suas ideias.
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quinta-feira, 15 de maio de 2008
O tempo certo
Um grande problema com o ser humano médio (incluindo este que escreve) é que temos uma péssima sincronia. A vida acontece e geralmente nos apressamos demais ou deixamos passar a hora certa de fazer algo. Olhamos para trás com arrependimento e pensamos: 'naquela época eu devia ter feito tal coisa'.
Não é muito o que se dizer. É só algo.
Uma coisa eu aprendi. A vida não tem segundas chances. Você errou e está feito. Você pode ter sorte do erro não ter sido grande, mas raramente é assim. Se você errou e foi grande, não há segunda chance. As pessoas não vão esquecer. Se você errou e foi feio, prepare-se para um longo período de sofrimento.
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Nunca se esqueça, entretanto, que não precisamos de sorte, pois temos nossas poderosas mentes.
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quinta-feira, 8 de maio de 2008
Os Caminhos da Liberdade
Por Guilherme de Moraes Alvarez
Pois, bem!
Se você quiser corrigir meu texto, por favor, dê-me seu endereço primeiro.
Para que serve a filosofia?
Como estou ansioso para escrever vou dar a minha opinião: a filosofia serve para alcançarmos a felicidade. Pronto, falei. Mas não é mesmo?
No início pode parecer que não. Parece que eles só se preocupavam com o universo e a natureza. Sócrates deu os primeiros conselhos sobre como ser feliz. Claro, a sociedade no tempo dele, onde ele vivia, era muito diferente. Talvez os conselhos de Sócrates não sejam tão úteis hoje. Sócrates não precisou se preocupar com emprego, por exemplo.
De qualquer forma todos os filósofos foram grandes caras. Com alguns eu concordo mais, outros menos. O problema é que nenhum deles parece ter sido muito feliz. O Nietzche eu tenho certeza que não foi. O Kant pode até ter sido, mas era muito preocupado. O Descartes não tenho certeza, mas acho que ele era meio preocupado também. Que lição eles nos deixaram de tudo isso? Como o mundo funciona? Ninguém quer saber. A Física já explica um bocado mais do que as pessoas estão interessadas. Como funciona o ser humano? Pode ser, mas creio que eles são todos um tanto divergentes. Cada um tem a sua teoria sobre o ser humano. Os existencialistas, ironicamente, parecem ter sido mais felizes. Tudo que eles fizeram foi jogar no lixo toda a filosofia anterior e decretar que as pessoas podem ser o que quiserem. Isso é muito legal. Claro que pouca gente conseguiu ser feliz assim, já que o vazio de não existir uma natureza intrinseca pode ser bem devastador. E os livros existencialistas são bem trágicos.
Isso quer dizer que eu penso que o existencialismo é a melhor filosofia? Não. Se fosse, eu não estaria sofrendo agora. Não é nada de mais. Não se preocupem.
Então, qual é a melhor filosofia?
Esta é a barreira que eu estou tentando quebrar. Em algum lugar está a filosofia da felicidade. Em algum confim da existência está a felicidade. O budismo é uma filosofia bem interessante pois está focado mais ou menos nisso. O budismo, entretanto, fala de uma iluminação que apenas uma pessoa alcançou. Estamos há milênios tentando ser tão bons quanto o Buda. O problema é que temos pouco tempo. Não podemos dedicar nossas vidas estudando sobre como sermos felizes para descobrir nos últimos cinco anos. Queremos ser felizes agora.
Isto nos leva para o próximo passo. O que é ser feliz?
Esta é a pergunta certa. Sinceramente, não tenho certeza. Sei, entretanto o que é ser infeliz. É sofrer o tempo todo. Sofrer o tempo todo é o quê? Peguei vocês. Desafio qualquer um a comentar aqui no blog uma definição de sofrimento. O prêmio é a honra. Eu penso (homo sapiens sapiens) que sofrimento é a ausência de certa(s) condição(ões) que desejamos/precisamos, sendo sofrer o verbo que exprime a ação de estar em estado de sofrimento. Acho que a definição é bem completa. Sofrendo eu mesmo, pude analisar bem a coisa. Logo, por que sofremos?
1. Sofremos porque somos diferentes. O que isso significa, levada em conta a definição? Isso mesmo. Significa que desejamos a companhia de outros seres humanos. Não desejamos ser iguais. Não. Desejamos que nossas diferenças não sejam fator de afastamento. É mais do que pacífico o conhecimento de que o ser humano precisa de outros seres humanos. Logo, o afastamento causa sofrimento. A solidão causa sofrimento.
2. Sofremos porque temos compaixão. É impossível não sofrer com a condição miserável de outros seres humanos. Isso é ainda mais prova de que precisamos de outras pessoas. Logo, o que nos faz sofrer é a ausência de reciprocidade. Desejamos que o mundo seja justo. Sofremos, assim, porque a sociedade é frustrante. A sociedade nos nega alguma coisa que precisamos e nós sofremos.
3. Sofremos porque a vida é chata. Desta forma, precisamos sentir prazer. O objetivo da existência, seja lá como você colocar em termos práticos, é viver momentos prazerosos. A ausência de prazer causa sofrimento.
Uma vez que o ser humano conseguir resolver seus conflitos, todos os outros problemas sumirão.
Por que existem desigualdades na nossa sociedade é uma outra questão no caminho desta filosofia. Sabemos que existem lugares no mundo onde as desigualdades são ínfimas. Existem pessoas mais ricas e menos ricas, mas todos têm condições boas de vida. Isso garante a felicidade? Não, porque ainda ficamos com o problema da solidão e dos prazeres. Resolver o problema da solidão é a outra metade da solução.
Eu tenho algumas teorias. Já falei disso aqui no Crônicas. Pretendo entrar neste assunto mais tarde. Em resumo, devemos encontrar o equilíbrio entre envolvimento e privacidade. É complicado, mas não é impossível. Quando nos envolvemos muito sem deixar espaço acabamos julgando cada pequena coisa nas pessoas e isso leva ao afastamento. É complicado. Outro grande problema é o sentimento de possessão nos relacionamentos afetivos (não gosto desse nome). Devemos pensar em nossos companheiros como parceiros de truco. Se ele(a) jogar com outra pessoa, tranquilo, desde que não pare de jogar conosco. O problema é o medo. Temos medo que a pessoa nos deixe e por isso não queremos que ela experimente. Eu digo que isto é a própria receita do fracasso. O caminho para um relacionamento forte é a superação própria. Não devemos ter medo que outros sejam melhores. Devemos ser melhores.Isso tudo deverá ser abordado posteriormente. O importante é: o que é ser feliz, então? É a ausência de sofrimento? Sim, para esta definição de sofrimento. Para termos algo mais completo devemos unir as duas definições. Felicidade é a ausência preocupações/problemas complementada por diferentes atividades prazerosas. Creio que aqui englobamos tudo, por enquanto.
Em breve, também, meu conto.
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quarta-feira, 7 de maio de 2008
Conto
Estou escrevendo um conto. Não sei se ponho ele aqui no Crônicas. Ta ficando grande.
Então acho que vou fazer um novo blog, apenas para meus contos.
Mais detalhes amanhã ou sexta.
