domingo, 21 de outubro de 2007

O que dizer?

Por Guilherme de Moraes Alvarez

Pois bem!

Logo depois de decidir postar uma vez por semana eu não pensei nas consequências de minha promessa. Quando fui postar, ontem à noite, foi que eu percebi que não é tão simples assim.

A razão é simples: inspiração não dá em árvore.

O desafio não é pequeno. Não basta escrever sobre o tempo ou os eventos da semana. Tenho que fazer uma avaliação filosófica de tudo que se passa e fazer as perguntas certas. O Crônicas não é um blog dedicado à minha existência, e indecifrável para todos. É o lugar onde eu tento decifrar a vida. Para tanto, não posso ser breve demais, ou enigmático. Tenho que ser claro.

Sexta que vem vou postar de novo, como prometido.

domingo, 14 de outubro de 2007

Frequência

Agora vou postar aqui uma vez por semana.

Fiquem ligados.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

20 de Setembro

Por Guilherme de Moraes Alvarez

Só pra constar: eu não tenho orgulho do dia 20 de setembro. A guerra foi uma iniciativa burguesa, quase infantil, porque São Paulo era melhor (e ainda é mais desenvolvido). O povo não estava interessado em independência. Além disso, se a coisa tivesse funcionado estaríamos tão bem quando o Uruguai.

E mais uma coisa: nós perdemos.

sábado, 29 de setembro de 2007

Cedo ou tarde...

Por Guilherme de Moraes Alvarez

O que é bom dura pouco?

Quais são os fundamentos em que devemos nos basear para uma vida satisfatória?

Boa pergunta!

Eu sei. Eu sei. Nossos amigos são a coisa mais importante que há. É isso mesmo. Mas o que me pergunto não é exatamente este aspecto. Certas coisas são objetivos solitários. Coisas que não podem ser auxiliadas por amigos. O que fazer quando estas coisas vão dando errado?

Não sei.

Eu acredito que o amor é a força mais incrível do ser humano. Ele é capaz de vencer tudo que eu consigo imaginar; quem sabe até a morte. Talvez o amor seja a única coisa que importa afinal.

Livros e filmes em que as pessoas negligenciam isso tendem a me perturbar.

Tudo parece tão simples do meu ponto de vista. Por quê temos que sofrer tanto, então? Por quê as pessoas são tão enormemente complicadas? Por quê tanto medo?

Certo. Certo. Perdi a compostura.

Há alguns anos eu concebi que os problemas da humanidade estão ligados ao medo e à preguiça. Todos os problemas da humanidade são manifestações destas duas coisas. São duas coisas que eu tento eliminar de minha personalidade. Não é fácil.

Neste instante eu não estou com medo. Estou decepcionado. Frustrado, também. Acho que decepção e frustração são a mesma coisa.

A vida segue. Vou morrer de qualquer forma. Talvez não faça diferença o que eu sinto. Talvez eu supere isso tudo com o tempo. Entretanto, não estou muito a fim. As coisas podiam funcionar, pra variar. Pelo menos as coisas com as quais eu me importo.

Perdi a compostura outra vez.

Mais tarde eu continuo com a estória da tartaruga.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

A Grande Republicação

Por Guilherme de Moraes Alvarez

O weblogger fez uma alteração de seu sistema. Esta alteração requer que usuários de blogs antigos confirmem seus e-mails. Nenhum grande problema. Acontece que eu não consegui. Como? Erro na página. Fiquei puto.

Então resolvi trocar. Renovar. Passei todos as postagens do arquivo para este novo blog. O novo Crônicas.

O interessante foi que o endereço cronicasesaudades.blogspot.com já estava ocupado. Acessei pra ver como era este blog e, pasmem, é o mesmo Crônicas. Não tem nenhuma postagem. Parece que o Merengue decidiu que preferia o weblogger e abandonou o blogspot. Pedi a senha pra ele, mas ele não respondeu. Deve ter esquecido.

De qualquer forma, fica o blog registrado. Ninguém poderá criar seu próprio Crônicas no blogspot.

Em breve vou dizer alguma coisa útil.

Agosto de 2007

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Só pra esclarecer

Por Guilherme Alvarez

Certo, certo.

Duas coisas.

Se você não aceita que se use "pra" ao invés de "para", então não leia mais este blog.

Se você não consegue aceitar coisas como casamento entre pessoas do mesmo sexo e homossexuais adotando filhos, ou o presidente operário (se você tiver alguma coisa concreta a dizer, tudo bem, mas pense bem) então pare de ler este blog e nunca mais dirija a palavra a mim.

É sério.


envie este texto para um amigo

Julho de 2007

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Falta fé (ainda bem).

Por Guilherme Alvarez

Leia na ordem certa. De baixo para cima.


envie este texto para um amigo




Falta fé (ainda bem).

Por Guilherme Alvarez

O que mais me impressiona na estória do Harry Potter é como os personagens são unidos. Todos eles.

Por que somos todos tão distantes uns dos outros?

Essa é a parte que mais me incomoda. Não é a magia, nem as aventuras, nem as criaturas fantásticas. Eu sempre estive em contato com estas coisas em outras literaturas (embora nenhuma tivesse a gigantesca qualidade desta), e nunca senti falta de ser um jedi ou um mago (o mestre dos magos).

No mundo que não existe de Harry Potter (o que não significa que é menos importante) as pessoas se importam umas com as outras, e demonstram isso. As pessoas não são inocentes, ingênuas. Se amam. Isso dá uma incrível sensação de conforto ao ler. Hoje somos tão centralizados, absortos em nossos próprios problemas. Não percebemos como tudo isso é insignificante. Não quero soar pedante, nem rimar.

É isso. Tudo é tão distante. Todos com medo de se magoar, porque são muito intolerantes. Cavamos nossas próprias cavernas, nos isolamos por conta própria, e depois reclamamos disso. Um abismo.

Eu tenho uma amiga que não está sempre de bom humor. Quando ela está de bom humor, ela aproveita ao máximo, sem medo de se envolver com as pessoas e se decepcionar com elas depois. Talvez isso seja o início.

Precisamos mais uns dos outros.


envie este texto para um amigo




Falta fé (ainda bem).

Por Guilherme Alvarez

Eu estou mais do que convencido, agora, que ninguém lê isso aqui.
Tudo bem. Eu não me importo de cair no esquecimento. Parece que tanto faz.

O que estou quase por escrever é, e portanto parece, estúpido. Um mero questionamento sobre a existência que é por si um contra-senso (não sei escrever esta última palavra).

Eu tenho dúvidas. Muitas vezes imagino se apenas eu tenho dúvidas. Sei que não, mas parece que sim. Parece que eu tenho sempre mais dúvidas. Sempre achei que isto era bom. Um sinal de minha humildade, de minha busca por auto-conhecimento, por evolução. Não sei mais.

Qual a utilidade de ter dúvidas, se empobrecem minha alma, meu estado de espírito?

Qual a utilidade da vida, afinal?

Bom, claro que a vida serve a nenhum propósito. Isto é pacífico. Todos sabemos disso, embora muitos neguemos. É a conclusão mais difícil que eu cheguei em minha vida, mas não há como escapar dela. A vida é um inevitável processo de organização e reprodução. Acontece porque tem que acontecer, como a água no fogão tem que ferver. Não vou insistir, pois é evidente e natural. Fugir dos fatos é pior que ser cego.

Mas não é isso que me tortura.

Obs. Eu terminei de ler o último Harry Potter hoje.


envie este texto para um amigo

Junho de 2007

quinta-feira, 21 de junho de 2007

A TV é nossa.

Por Guilherme Alvarez


Andei pensando em muitas coisas ultimamente. Descobrindo opiniões novas, novas leis, etc. Mas ainda não sei o que dizer por aqui. Minhas idéias somem muito rápido.

Vou aproveitar para fazer propaganda.

www.eticanatv.org.br
0800619619

Este sítio e 0800 são para denunciar mal uso da televisão por parte das emissoras.

Mas o que é isso?

Bem, a televisão e o rádio são públicas. As emissoras possuem concessões para usar as ondas eletromagnéticas, que são públicas. As emissoras não são donas dos canais. Os canais são do povo. Isto está na constituição e em lei complementar. Mais tarde eu cito os artigos. Logo, as programações devem seguir parâmetros de qualidade e utilidade pública, como o transporte público, ou a telefonia.

O que não acontece sempre.

Entendamos que, se tratando de concessão de um bem público, não há a mesma liberdade que em coisas privadas. São coisas públicas operadas por empresas privadas.

Então, ao contrario do que podemos fazer em livros e revistas, não se pode, por exemplo, vincular conteúdo racista ou machista, em canais de televisão ou rádio.

Se, por acaso, nos depararmos com coisas que são claramente ofensivas ou totalmente imorais, ou extremamente inadequadas (cuidando para não sermos injustos), temos obrigação de denunciar.

Também tem o sítio do ministério da justiça, que é quem deve fazer este controle do conteúdo.

Procurem também no youtube: "etica na tv".

Era isso.


envie este texto para um amigo


quarta-feira, 6 de junho de 2007

Rebobinando

Por Guilherme Alvarez


Mudei de idéia sobre o que escrevi por último, sobre o Freud.
As teorias não se encaixam. Fica valendo a primeira parte.


envie este texto para um amigo

Abril de 2007

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Acontece comigo.

Por Guilherme Alvarez


Então é isso. Somos um emaranhado de instintos tentando acontecer, sobrepostos por uma razão, que tenta ordenar estes instintos em função do futuro.

Não podia ser mais simples.
E mais complicado.

Se você já viu com o que estas conclusões se parecem, parabéns. Você merece uma coca-cola.

Sim, é Freud. Os instintos são o ID. A tal razão que tenta ordenar tudo é o Superego. E a consciência disso tudo é o Ego. Mas só aproveito o início. Essas três partes. O resto é meu. Até eu estudar Freud melhor e descobrir que ele já tinha dito tudo que coloco aqui.

Chega de parágrafos curtinhos.

Tudo isto é muito bonito, mas nunca resolveu a vida de ninguém. Infelizmente, conhecer o campo de batalha não garante a vitória. É um passo indispensável, entretanto. Mas como isso muda nossas vidas?

Falei que não haveria mais parágrafos curtinhos. Menti.

Conhecer o processo como um todo, fundamental é. Não temos o que fazer com a mera conjuntura (palavra engraçada) das coisas. Temos de conhecer o que acontece. Pra isto meditei. Cá minhas conclusões iniciais.

Tudo que fazemos vem do Id. Tudo. Isto é fácil de ver. Nosso instinto de sobrevivência está acima de qualquer coisa (normalmente). Quando entramos nas Casas Bahia pra comprar uma lavadora de roupas (daquelas bem fortes, e tem que ter os dentes bons), estamos cumprindo ordens do Id. Todos os confortos do mundo são uma forma de satisfazer diversos instintos profundos. A felicidade em si, ou a vontade de ser feliz, é um instinto. Fortíssimo, diga-se.

Mas isto não é suficiente. O Id é uma formação neurológica antiga, pouco alterada desde os primeiros vertebrados. Foi a primeira coisa que surgiu quando os animais desenvolveram encéfalo. O nosso Id é incrivelmente poderoso. Só tem um defeito. Não conhece futuro. O Id conhece o passado, sim. Quando nos traumatizamos, o Id é reescrito, por exemplo. Ele é especialmente voltado para o presente. Agora. Mas nada de futuro. Nadinha.

Nossos instintos são excepcionais para nos dizer o que precisamos agora. Para isto que eles existem. O Id, entretanto, não tem noção do que vamos precisar. Para todos os efeitos, o que vamos precisar é o que precisamos. Mas nisso nos enganamos, ou enganávamos. Por alguma razão, acabamos precisando entender o futuro. Para isso nasceu o Superego. E não só isso. O Superego tomou para si a tarefa de organizar e vetar os instintos. E o faz muito bem, ao contrário do que eu pensava.

Sempre, em nossa longa evolução, precisamos comer. Somos homeotérmicos e isto requer uma montanha de energia. Quando encontrávamos comida, comiamos tudo. Claro! Não sabiamos quando comeriamos de novo. Era complicado. Todavia (já que já usei entretanto), com o passar das gerações, aprendemos a acumular alimentos. Hoje temos alimentos de sobra, sempre. Não precisamos comer tudo. Podemos comer pouco, baseados em outros princípios. O Id não entende isto. Para o Id, cada refeição é a última. O Superego, então, tenta controlar nossas refeições. Alguns de nós têm problemas com isso (eu mesmo estou com uma barriguinha complicada de perder). É só um exemplo.

Quando o Superego concorda com o Id (o que acontece na maior parte das vezes) fazemos as coisas de ofício. Quando discorda, fica pro Ego decidir. É um baita drama.

O Superego não faz simplismente a censura do Id, ele também organiza os instintos em tarefas. Geralmente um instinto gera muitas tarefas. E além disso, os instintos têm uma ordem de importância que o Id mesmo ignora. O instinto de sobreviver é superior e gerador do de comer, mas comer demais pode pôr a vida em risco. O Superego faz este tipo de julgamento.

Bem, acho que por hoje está ótimo. Mais tarde direi se Freud concorda comigo e elaborarei a questão.

Como é que se diz? Fiquem ligados.


envie este texto para um amigo


quarta-feira, 18 de abril de 2007

Acontece comigo.

Por Guilherme Alvarez

Problemas, sempre.
A máquina parou de funcionar.
Mas voltou, sem explicação.
De um amigo meu.

O que fizesse? - perguntei.
Nada, cara. - respondeu - Nada mesmo.

É incrivel, não é? - prossegui... Sempre acontece comigo. É o caos. Ou a Força. Não sei.

Mas é incrível.


envie este texto para um amigo


quarta-feira, 11 de abril de 2007

Agora sim, um poema

Por Guilherme Alvarez


Este poema é de uma autora que não sou eu.

Ah claro!
A saudade
Sempre lá
E aqui
Por toda parte
A saudade

Muito bom! (agora fui eu)


envie este texto para um amigo

Março de 2007

segunda-feira, 26 de março de 2007

Guerras Internas

Por Guilherme Alvarez

Um inconveniente do blog é que os textos em continuidade são lidos ao contrário, do último pro primeiro.

Um problema da vida, ou melhor, da vida do ser humano, é o gigantesco conflito entre o que desejamos instintivamente e o que queremos, racionalmente. Este conflito é geralmente inócuo, representando dilemas simples: satisfaço meu desejo por sorvete de caramelo ou permaneço em forma. Entretanto (note como eu gosto de usar "entretanto"), algumas vezes este conflito traz um dilema maior, mais complexo.

Devemos suprimir nossos instintos? Devemos usar apenas a razão? Quando a inexorável vontade de comer aquele chocolate se apresenta, e não estamos com fome, nunca passamos fome, somos uma geração de gordos, não passaremos fome tão cedo, devemos nos deixar levar? Complicado.

Quando éramos incipientes de razão e tudo era instinto, não havia com que se preocupar. Caçávamos e pronto. Na medida em que fomos evoluindo, como seres sociais, fomos ultrapassando as barreiras de nossos instintos. Evoluimos muito rápido. Passamos a pensar no futuro. E isto mudou tudo.

O futuro traz problemas novos ao pensamento. Planejar envolve a criação de hipóteses baseadas no que se conhece hoje, e a adoção de uma destas hipóteses como a mais adequada. É um processo complexo. Muitas vezes é impossível. A natureza é simplesmente muito vasta. Nós rapidamente passamos a ponderar nossas ações em virtude do futuro, e um conflito surgiu. Nossos instintos não estavam preparados.

Toda nossa história a partir disso é uma grande batalha entre o que desejamos instintivamente e o que queremos racionalmente. Não raras vezes estas coisas são antagônicas. Creio que o primeiro destes conflitos foi o da estocagem de alimento. Nossos instintos são bem claros: coma tudo. Nossa compulsão por comida é o medo da sua falta. Nós sabemos que não vai faltar comida. Trabalhamos e teremos comida sempre que precisarmos (os mais sortudos de nós, pelo menos). Mas nossos instintos não tomam conhecimento disso. Eles são um mecanismo automático e quase imutável. Nosso instinto nos diz para comer até o limite. E assim ficamos gordos.

Estamos constantemente controlando nossos instintos. Para comermos saudavelmente, para podermos nos curar de enfermidades, e muitas outras coisas. O problema está no limite deste controle. Quando o instinto é forte demais. Ou quando a razão é fraca demais. Nestas ocasiões não há o que fazer. O sofrimento é certo.

Creio que estes conflitos são a base de todos os problemas da humanidade. Elaborarei neste ponto outro dia.

Hoje eu preciso dormir.


envie este texto para um amigo


quarta-feira, 21 de março de 2007

Infinito

Por Guilherme Alvarez

Pois bem, não me sinto muito poeta agora. Por isso vou me contentar com uma prosinha. Uma prosa triste é essa que trago. Começando pelo fato de que ninguém lê minhas coisas nestas crônicas, creio, seguindo por uma porção de outros fatos, que posso escrever livremente, pois ninguém lerá mesmo.

Ou o contrário?

Estou eu escrevendo menos do que devia por ninguém estar lendo. Uma pergunta sem resposta, já que ninguém ficará sabendo dela.

Ao que interessa. Tenho perguntas que não serão respondidas a fazer.

Ao me aproximar do fim de minha adolescência, eu vejo coisas que devia ter visto antes, mas das quais fui protegido por meus genitores. A principal é a morte. Há outras, talvez mais terríveis que a morte, mas a morte é a mais definitiva.

Quando eu vi a morte pela primeira vez, e ela me tocou, foi com meu avô. Não quando ele morreu, essa foi a primeira vez que eu sofri com a morte. Era quando ele conversava com a minha vó, tomando chimarrão, e perguntava: e o fulano? Meu avô já estava no fim da vida. Já tinha sofrido dois sérios acidentes vasculares cerebrais. Tinha esquecido que alguns amigos seus já tinham morrido. Todos.

E o fulano? Faleceu. E o ciclano? Esse foi-se também. Meu avô ia perdendo o sorriso. Seus amigos se tinham todos ido embora. E ele tinha um bocado de amigos. Não sei que parte da vida desregrada de meu avô lhe conferiu a longevidade que teve. Espero encontrar também. Meu avô sempre foi alegre e festeiro. Somente a morte de seus queridos lhe tirava o sorriso, e o meu. Eu ficava muito chateado.

Foi a primeira vez que tive medo a longo prazo. Sou um cagão, é verdade. Entretanto, uma infância rica em super heróis me ensinou a enfrentar o medo para superá-lo. Perdi o medo de altura (que recuperaria mais tarde) e de cães (esse me custou um mês dentro de um gesso) dessa forma. Aprendi que o medo é uma venda, não tem nada de bom. Precaução é importante, mas não é medo. O medo tira os sentidos, o raciocínio. O medo a longo prazo foi um retrocesso imenso, penso eu. Tenho medo de sobreviver.

A pior coisa seria viver pra ver todos irem embora, viver pra contar a história. Não consigo conceber tamanho sofrimento. Se por meu avô, que estava já de saída, sofro até hoje, quanto será quando for minha avó, ou meus pais, e por último meus amigos?

Igualmente não posso me permitir morrer antes de todos. Quanto sofrimento irá isso causar?

Queria que os que amo se fossem junto comigo, daqui a muito tempo. Mas alguns preferem se acabar de uma vez. Fazer tudo que é bom e morrer não muito tarde. Não sei. Acho que não gostam muito de passar o tempo comigo. Não sei.

Depois eu falo sobre as outras coisas e sobre como acabar com o sofrimento do mundo.


envie este texto para um amigo

Fevereiro de 2007 (3 anos de Crônicas)

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Falta pão

Por Guilherme Alvarez

Ai, ai. Aqui em Porto Alegre se vêem (ou vêem-se) coisas de capital. Riquesa e miséria lado a lado, pelo menos no centro. Os ricos (vamos classificar que quem tem computador em casa e internet, banda larga principalmente, é rico) achando a miséria uma vergonha, e os pobres, achando que os ricos têm dineiro sobrando para comprar uma balinha. Os transeuntes que tomam "chopp" no fim de tarde até mesmo se acham vítimas dos engenhosos vendedores de quinquilharias. Claro, estes bons viventes são ainda mais alienados que a média. A reação mais sensata - se é que se pode colocar desta forma - seria ter um pouco de pena. Alguns, pasmem, têm até raiva. Uma vez ouvi de alguém:"não suporto essas pessoas que tentam vender porcarias nas sinaleiras". O miserável não pode nem tentar sobreviver mais.

Claro que quem pensa assim tem uma leve deficiência de compaixão. Um neurotransmissor muito importante para podermos ostentar o título de ser-humano.

Já para pessoas que ficam com pena, mas não vêem como ajudar, existe uma solução. E não estou falando da indiferença. É um plano, uma coisa que podemos fazer um pouco cada um. Uma solução lenta, porém permanente. Uma forma de acabar com a péssima distribuição de renda que nos assola.

Bem, agora que joguei a isca da curiosidade, vou explanar sobre o problema e meu plano, em outra postagem, em breve.


envie este texto para um amigo

Dezembro de 2006

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

A Culpa é do "João Ninguém"

Por Patrick Melo

Pirataria é crime, isto é fato. Mas quem incentiva mais este crime? As pessoas que não param de comprar produtos piratas, os comerciantes que trazem este tipo de mercadorias para o país ou o governo que, com sua alta carga tributária, eleva os preços dos produtos forçando a população a optar pelo comércio informal?

As pessoas sentem tanta necessidade de comprar produtos importados quanto de assistir televisão. Seria mais fácil se elas procurassem por produtos do mercado interno, que são mais baratos, pois não possuem tributos de importação e não por que são de qualidade inferior.

O governo tem melhorado as políticas de importação de mercadorias, mas ela sempre esbarra na mesma coisa: taxas tributárias altas e burocracia. Por que os CDs são tão caros se o custo de produção não é tão elevado?

Nosso planalto está fazendo a sua parte combatendo a pirataria. Os comerciantes vendem produtos piratas por que os impostos são muito altos. A população compra "pirataria" por que é caro comprar produtos "de marca". No final das contas a culpa não é de ninguém, mesmo sendo de todos.


envie este texto para um amigo


segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

A Santíssima Tartaruga

Por Guilherme Alvarez


O texto ainda será revisado.
Somente a primeira parte no crônicas.
Procedo coloquialmente.

O Legado da Tartaruga
Livro I - A Jornada da Garrafa Pet


Prólogo

Dois rapazes (não pense bobagens) numa noite quente de verão. Nada contra noites de inverno ou garotas. É que foi assim mesmo que aconteceu. Qualquer besteira passava por suas cabeças. Não era nada sequer interessante, mas por algum motivo; talvez uma forte consciência interior que buscava iluminação, talvez uma gastrite; eles tiveram uma idéia. Idéias são frequêntes. Boas idéias, nem tanto. Esta se diferenciava, não pela qualidade, mas porque vinha acompanhada de uma forte vontade de cumpri-la, por alguma razão.

Em Rio Grande, RS, há um balneário, o balneário Cassino. O nome vem de um cassino (vejam só) que havia lá. Era um lugar bastante badalado. As pessoas vinham de vários lugares gastar suas mesadas e fortunas em jogos que sabiam que não podiam ganhar, mas tinham uma esperança. Veja como são as coisas. Rio Grande tem também um porto. Quando os navios atracavam no porto, os trabalhadores e tripulantes do navio iam para o cassino, e para bordeis. Os bordeis ainda estão lá. Entretanto, em meados dos anos sessenta, os jogos foram proibidos e o cassino foi fechado. Ficou o nome.

A praia do Cassino é o ecossistema aquático costeiro mais extenso do mundo. É a maior praia na prática. Dizem que não, pois ela é políticamente dividida em outras praias. A dezoito quilômetros de distância do baleário, ao sul, pela praia, há um navio encalhado.

O navio está lá há décadas. Não sei se estavam todos embriagados ou dormindo. Sei que encalharam. Uma tragédia. talvez meu tom fique um pouco rude agora. Estou reescrevendo o que segue. Perdi o texto original num erro do computador. Isto me irritou bastante. O navio tornou-se um ponto turístico. Talvez eu explique mais tarde. Se eu der uma pesquisada.

Dezoito quilômetros é uma caminhada considerável. Talvez por isso os dois jovens sentiram-se tão fascinados com a idéia. Ida e volta. Trinta e seis quilômetros. Eles decidiram fazê-lo, no outro dia.

Logo pela manhã, os dois se encontraram na casa de um deles, após gordos cafés-da-manhã, e seguiram para o balneário Cassino. Caminharam os três quilômetros até o balneário. Caminharam o quilômetro e meio até a praia, através do balneário, e por fim chegaram à estátua de Iemanjá.

A estátua de Iemanjá é o ponto de encontro para a festa que ocorre todos os anos, quando inúmeros presentes são oferecidos à divindade. Pessoas de muitos lugares do estado do Rio Grande do Sul, e de outros estados, vão celebrar na cidade. As oferendas são postas no mar, algumas com barquinhos.

Após passarem a estátua e entrarem na praia, os rapazes endireitaram-se e iniciaram a longa caminhada. Permaneceram de tênis, a fim de conservar o conforto. A praia estava pouco movimentada. Alguns carros estacionados, poucas pessoas na água.

O Cassino tem uma avenida perpendicular à praia, ao contrário da tendência mundial. Dizem que isso se deu em virtude dos fortes ventos que assolam a praia (embora esses mesmos ventos não assustem os banhistas). Os carros transitam na própria praia. A areia é dura em toda extensão. Rio Grande é inteiramente coberta por incompetência administrativa, ao longo de 200 anos. É quase surreal. Tudo foi mal planejado desde o primeiro instante, e continua sendo. Apareça por lá.

A manhã oferece não apenas tranquilidade para quem for à praia, mas também uma água geladinha. Entretando, depois de um tempo na água, a pessoa tende a se acostumar com a temperatura. Fica mais difícil de sair. De tênis, não dá muita vontade de entrar na água. Os jovens errantes apenas observavam enquanto caminhavam em direção ao sul.

O primeiro quilômetro passou sem problemas, havia vários carros e pessoas ainda. O segundo quilômetro viu uma diminuição na quantidade de pessoas.

Os jovens perceberam que havia uma determinada quantidade de lixo na praia. O lixo é um subproduto da nossa atual forma de viver. Ele tem lugar certo, entretanto. Jogar lixo na praia parece descender da idéia de imensidão inabalável que não se importa com apenas uma garrafa pet. Assim acumulamos lixo em nossas vidas. Garrafas pet eram dominantes. Havia muitas. Depois de quatro quilômentros de caminhada, elas pareciam estar em todo lugar.

Nem mesmo as infames garrafas de cerveja atrapalhavam. Claro! Garrafas de cerveja valem quando retornadas. Além disso, elas são duras e pesadas, há um sentimento mais forte de preservação quando se guarda uma para retornar. Parece que vai poluir demais.

Adiante na caminhada, o sexto e o sétimo quilômetros encontraram até algumas inteiras garrafas pet. Os jovens já estavam se curvando em zombaria, como se fossem dominados pela estranha presença.

Ao se aproximarem de oito quilômetros de caminhada, tentaram ver o navio encalhado. Dizem que o navio é visível à dez quilômetros de distância. Procuraram, então, pela forma do navio. Não encontraram. Havia uma forma no orizonte, mas não se parecia com um navio. Isso foi inesperado. A forma era espessa, larga, e afuniláva-se em curvas para dentro. Uma extremidade era do tamanho do corpo, com um cilindro, e a outra era uma terminação abrupta e reta do afunilamento. Uma aparência estranha.

Em uma tentativa de entender aquilo, os jovens se entreolharam e permaneceram quietos enquanto caminhavam. Um instante infinitesimal foi necessário, apenas. A descoberta foi surpreendente no início, mas logo se tornou natural. A voz saiu surpresa mesmo assim:

-"Cara, é uma garrafa pet."


envie este texto para um amigo


sábado, 2 de dezembro de 2006

Perneto

Por Guilherme Alvarez


Não odeio o parnasianismo
Nem idolatro o modernismo
Tenho meu próprio estilo
Que rima quando é possível

Muita coisa me assusta
Como dizer "para" ao invés de "pra"
Que economiza toda uma letra "a"

Muita coisa me irrita
Mas eu deixo pra lá
Não cabe eu me estressar

Há uma coisa que eu não aguento
Embora pareça e eu entendo
O que eu não gosto mesmo
É que pensem que escrevo sem sentimento

Viva a aliteração!


envie este texto para um amigo




Saudades...

Por Diego Ferraz


Espirituosidade.. que procura uma paixao.. transcende o vazio da alma que o sentimento espatifado entre os dedos.. faz sentir a dor do fim... e perante os olhos a prova da negacao do questionamento que até hoje.. martela no inconsciente desses olhos castanhos.. que mesmo marejados enxergam dentro de si mesmo.. e vêem a podridão pura e simples .. da tristeza corroendo seus pensamentos e destruindo suas esperanças q a muito tempo c transformaram em distância!


envie este texto para um amigo