domingo, 3 de junho de 2012

Mais fotos

Aqui vão algumas tentativas frustradas pela circunstância.


Carro em movimento, fim de tarde. Tudo pra dar errado.


Essa também. Um pouquinho de enquadramento ou uma lente mais ampla.


Não consigo me decidir entre essas duas. Motoristas aguardando a liberação da estrada.


quarta-feira, 30 de maio de 2012

Onomatopeia do arroto

"Eu tava ouvindo o rádio outro dia e, nem sabes, o cara arrotou no meio do programa. Todo mundo ouviu. Cara, muita gente ouviu. Ele fingiu que não aconteceu nada e seguiu falando."

- Tu falas demais.

"Não, não. Não tás me entendendo. O cara arrotou. Como pode uma coisa dessas? Em pleno ar. Todo mundo ouvindo. Não precisa ir de barriga cheia. Eu sei que é depois do almoço, mas por favor..."

- Qual o problema?

"Qual o problema? Sério? Não acredito nisso. É feio. O pessoal do vôlei achou engraçado. A gente tava tudo ouvindo junto. Mas eu não achei tão engraçado. Eu achei uma vergonha. Se o cara não consegue se controlar enquanto fala pra milhões de pessoas, não fala."

- Deve ter sido muito engraçado.

"Foi deprimente. Totalmente deprimente. Ele deveria ter sido punido. Expulso. Sei lá."

- Não tens mais nada pra te preocupar além desse arroto?

"Eu tenho que depositar um dinheiro da prestação da moto. Não é nada de mais. Só ir no caixa."

- Não foi isso que eu perguntei.

"O que foi, então? Eu não entendi. Tem alguma coisa errada? Sempre tem alguma coisa errada. Foi o que eu falei do arroto, não foi? Olha, eu só acho que ninguém tem que se sujeitar à falta de educação dos outros. Eu ouço o programa pra me inteirar do mundo e das coisas que me interessam e são importantes, não pra ouvir os movimentos peristálticos de um velhinho biruta."

- Não é um programa de esportes?

"É um programa de esportes sim. É o mais importante de todas as rádios."

- Eles não ficam só batendo papo?

"Eles dão suas opiniões e discutem os resultados e avaliam os jogadores e os técnicos e os clubes e os campeonatos. É a elite jornalística do esporte. Por isso que tanta gente acompanha."

- Eles não dão notícias, então?

"Como assim? Eles dão sua opinião. Eles discutem. São as melhores cabeças do jornalismo esportivo. Não é fácil cobrir esportes. Existe muita coisa em jogo."

- Não parece muito importante.

"Claro que é importante. Tá dizendo que eu perco meu tempo? Que eu tenho que me preocupar com outras coisas? Vou assistir palestras sobre aqueles pintores então. Vou ver uma exposição de fotografias. Não tem programas de rádio sobre isso também? Ou na televisão?"

- Teu time perdeu, por acaso?

"Joga na cara, então. Joga na cara que eu torço pro time errado, que somos uns derrotados, que nunca vamos voltar à glória de outros tempos. É esse o problema? Pois eu não vou... Vai sair? Eu vou fazer o jantar daqui a pouco."

- Vou comer uma pizza.

Será que eu devo?

Há um monstro adormecido ou contido de qualquer forma.

Ele se alimenta de pequenas migalhas que podem ser qualquer coisa. Qualquer palavra menos polida serve. Se muitas migalhas sobrarem para ele, pode ser que nem mais precise delas. Pode ser que ele ganhe vida eterna. Por enquanto ele cresce.

O que se teme também é o que dá vida. Sem o monstro sobra o vazio. Todos passam pela jaula e o alimentam. Mais algumas migalhas, um gesto diferente, um olhar abaixo de zero, uma expectativa, um pedido, uma oferta, uma exigência, uma opinião, qualquer coisa sem importância, qualquer coisa importante demais, um minuto em silêncio, uma eternidade sem, frases sem verbo, orações grandes demais, forma sem conteúdo, forma escondida na falta de forma, conteúdo sem conteúdo. Crescendo.

Há uma decisão a ser tomada. No fundo todos querem ver o monstro sair da jaula. O monstro preso é pouco melhor do que nada. É sem graça. É tudo que eu tenho. É quem eu sou.

Sem graça. Melhor do que nada.

domingo, 27 de maio de 2012

Compilando

Tá, então.

Daqui pra frente, tipo, muitas expressões idiomáticas. Deixar o lance mais coloquial, sabe...

Andei revendo algumas publicações aqui e resolvi compilar 10 fotos destes últimos 3 anos de "carreira". Só pra ver qual é que é. Sacou?

Tá, e daí?

Tá na mão. Reclina aí a cadeira e aproveita. Coloca um Sgt. Peppers pra tocar e come uma colherada de Nutella (ou leva o note pro sol e come uma bergamota).

E nenhuma ordem específica...


Essa já tinha aparecido aqui no Crônicas. Foi um incêndio nem lembro onde. Ainda tinha alguns focos e o cheiro de pneu queimado era insuportável. A D3000 proporcionando uma imagem que eu jamais esperaria dela.


Essa eu bati quinta passada. Mais uma das surpresas da D3000. Totalmente original, sem qualquer edição ela já está ótima, o que é raro. Apetrechos para consumo. Poderia ter sido feita em estúdio de tão bom que ficou este fundo. 55mm, f/7.1.


Essa foi em Rolante, RS. As composições de cima para baixo são minhas preferidas. As oportunidades para elas é que são poucas. O momento exato em que a moça olhou para esquerda foi crucial. Essa feita com a minha 550D e a maravilhosa Sigma 24-70mm f/2.8.


"Atrás do muro existe um rio que na verdade nunca existiu." O orgulho de porto alegre quando o sol não está disponível.


Buenos Aires não precisa de explicação.


Essa é uma preferência absolutamente pessoal. É o cenário da janela do apartamento onde eu morava na Vitorino. Algo no cenário urbano oculto de Porto Alegre me fascina. Talvez seja a proximidade de tantas histórias diferentes e ao mesmo tempo a distância que só a cidade grande proporciona. Ou não. Piegas, etc.


Eu fiz uma tentativa com flores. Algumas saíram boas. Eu escolhi esta dentre minhas três preferidas porque o fundo é tão diferente. Fiz essa em 200mm f/8. Flores do pátio da casa dos meus pais em Rio Grande.


Boa Viagem não é a praia mais bonita de Recife e depois das 16h os prédios fazem uma sombra brutal sobre a areia. Todos vão embora e sobra espaço para jogar bola. Essa foi com a D3000 também.


Meu baixista preferido no meu estúdio preferido. Os tons pastéis ganham vida. Foi bem difícil de enquadrar essa e tive que apelar para uma diagonal a fim de que aparecessem todos os braços.


Por último uma das minhas primeiras boas fotos. Ao fundo sangue. O revolver deveria servir para defesa, mas nenhum disparo foi feito. Enquadramento descritivo que por acaso ficou ótimo.

É isso. Não sei se gostei dessa coisa de falar coloquialmente.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Dez coisas para fazer no trabalho quando não há trabalho.

Presume-se que os e-mails já foram verificados, as redes sociais estão em dia e o 9gag também já era.


1. Escrever no seu blog;

2. Aprender malabarismo;

3. Resolver o Cubo de Rubik;

4. Bagunçar a sua mesa para parecer que o trabalho está mais intenso do que nunca;

5. Jogar campo minado;

6. Aprender truques com cartas;

7. Pressionar o carimbo automático de cabeça para baixo nas costas do colega e assistir enquanto ele procura a mancha que não existe em sua camisa branquinha;

8. Listar dez coisas;

9. Pensar na vida;

10. Planejar o jantar.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A melhor sensação

Compreensão é a melhor experiência que se pode ter.

É a melhor sensação que existe, junto com o vazio completo de pensamento.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Tempo livre

Já há alguns dias desde a última postagem. Portanto uma foto até eu ter mais o que dizer.


É um filhotinho de depósito. Quem quiser cachorrinhos pode me pedir.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

É cultural.

Pois, bem.

Nas minhas horas de reflexão autocontemplativa de merda eu percebi e compartilho aqui uma fundação da análise do comportamento humano e da busca pela paz interior e felicidade, que é o que todo mundo tá a fim.

Precisamos estabelecer quais sentimentos, atitudes e outros estados mentais são culturais e quais são instintivos evolucionários.

Digo isso porque ao tentar me despir de preconceitos e localizar quais sentimentos eram desnecessariamente prejudiciais à minha saúde emocional me deparei com o fato de que devemos aceitar e nos harmonizar com o que é natural de nossa espécie e abandonar o que é meramente cultural, mas que é muito difícil saber quais sensações são instintivas e quais são culturais.

Pense você num bom exemplo desta diferença e da dificuldade de traçá-la. Quando é importante desaprender o que nossos pais e nossa sociedade nos ensinou para que possamos enfrentar os conflitos entre nossos desejos e o que aprendemos como certo e errado, é crucial entender esta distinção.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Objetivo

Como a vida não tem sentido, cada um tem a liberdade de traçar seus objetivos.

Tá, e daí?

Talvez a coisa que eu mais goste de experimentar é compreensão. Compreender é muito bom, e cada vez mais eu compreendo melhor e de forma mais abrangente as pessoas, eu mesmo, e as relações entre as pessoas. Já disse aqui antes que estou tentando montar modelos que possam explicar o comportamento humano, como muitos já tentaram antes. Essencialmente eu pretendo alcançar um ou mais modelos que expliquem comportamentos de massa. Preferencialmente um modelo que explique muitos comportamentos, mas isso é muito mais difícil do que diversos modelos complementares. Quanto mais eles explicarem no âmbito individual, melhor, mas eu não considero possível.

Qualquer um pode fazer isso.

Sim, e eu creio que todo mundo faz. Eu levo isso à sério, entretanto, porque me proporciona o prazer indescritível da compreensão. O que meus modelos, depois de prontos, se um dia ficarem prontos, terão de diferente é que eles serão testados. Estabelecida uma teoria, ela deverá gerar uma previsão de algo que poderá ser observado. Sendo tal coisa observada de fato posteriormente, a teoria se confirma. Compreensão. Passa-se a enxergar tudo com mais clareza, como se uma janela fosse aberta iluminando uma sala escura.

Há um efeito colateral, entretanto. Quanto mais se compreende, mais tudo fica distante e irrelevante. É um vício como outro qualquer.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Como deve ser a Formula 1/ saving F1

Em inglês e português.

F1 bosses, I've had the most interesting idea. I'll go straight to it.

To end the criticism and my personal growing disappointment for the cotegory, and frankly to save it, the drivers must be dettached from the teams. The two championships must be completely separated. It must be done in a way that every driver gets roughly the same chances as every other driver. The drivers should come into F1 from being champions in the access categories. Every two or so years the bottom 4 drivers should be exchanged by the top four from access categories.

How to do that, you ask.

Considering the current state of things there should be 20 races a year, plus testing and such, which is the only part I have not figured completely. There have to be exactly 10 teams, two cars each. The cars must be able to fit any driver with little modification, which shouldn't be so difficult to achieve. Then the key factor comes in. Every pair of drivers drives twice for each team, preferably in two distant moments of the year, so that team development doesn't disturb driver performance so much. Thus the drivers will be measured by their capabilities as drivers in every aspect and at every conceivable fortunes and misfortunes carwise. This isn't a magical solution. Some drivers will have better luck in driving for teams on the rise, but it won't be predictable as it is today, when the champion can mostly be sorted from two to four drivers every season, most times two.

Drivers will get paid by prize and personal sponsors. Teams as well. Pay drivers thus will come to an end, eliminating one of the greatest frustrations of fans worldwide. Drivers will come and stay mostly by their results alone, and teams will have the opportunity of friday testing with every driver on the grid. Teams will then be pure teams and drivers will be pure drivers, each winning or losing by their own skill and talent and capability of working well in any condition, driverwise for teams and teamwise for drivers.

Overall I think this can save the sport. Why not try?

Tô com preguiça de escrever em português.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A liberdade é o silêncio.

Será que a felicidade é a ignorância? Será importante que saibamos tudo que teoricamente nos interessa? O que realmente interessa?

Creio que há uma limitação gigantesca ao alcance da felicidade nos valores que aprendemos a aceitar como verdadeiros. Eu me pergunto quanto nossos pais e a sociedade em geral estragaram nossas vidas nos ensinando o que é certo e errado. Quanto o exemplo da vida dos adultos destruiu nossa capacidade de alcançar a felicidade? Se você pensar bem, verá que todos os conceitos da nossa vida servem ao propósito de nos encarcerar. São limitações que nos impedem. É triste.

O problema é que se libertar destas limitações é uma tarefa impossível, ou quase. Quando eu penso eu sinto que os valores estão impressos em mim. Qualquer um pode sentir o peso dos preconceitos nos seus atos e pensamentos. É implacável. Eu, por exemplo, sinto desprezo por mim mesmo quando as reações surgem em mim para coisas irrelevantes que não fariam diferença na minha vida se eu não soubesse. Se libertar disso é uma necessidade e um objetivo. Se eu não conseguir, não muito mais restará além da prisão dos conceitos. Fazer apenas o que é certo. Talvez eu enlouqueça.

Tá, e daí?

É importante que nos aproximemos todos. Todas as pessoas. Somos todos ilhas. A solidão é a única consequência possível porque estamos atrás das palavras. Para além dos muros e das grades temos as normas e a moral, que são vastos labirintos com quem amamos na outra ponta. Sugiro que sempre que algum fato causar incomodação se pense em como seria a vida sem se saber desse fato. É um exercício difícil e não garante que vamos nos libertar das impressões da moral e de como nossos pais e avós e nossos modelos e exemplos e os filmes e as novelas f*deram com a nossa vida. Talvez não seja possível. Talvez estejamos muito velhos para nos libertarmos. Enquanto isso nos aproximemos.

A letra H é uma cerca.

Algumas vezes eu me pergunto o quanto estamos em contato uns com os outros.


Meu professor de filosofia na faculdade (o incrível Jaime) em uma aula disse que a quantidade de informações que nunca escapam nossa mente é muito grande e que as palavras são meras sombras do que queremos expressar, sempre incompletas. Isso não é uma novidade.

A conclusão inevitável é que estamos inexoravelmente sós dentro de nossas mentes. Somos computadores sem tela. As artes seriam formas de expressão visando expandir nossa compreensão uns dos outros, mas pouquíssimas pessoas dão a minima atenção a quaisquer coisas que não sejam filmes pop de Hollywood que sinceramente já perdi a paciência de assistir. Talvez seja essa a magia dos reality shows. Observamos experimentos em outros seres humanos para tentar compreendermos-nos melhor. Talvez sim, talvez não.

Será a solidão que nos assola por nossa incapacidade de comunicação a razão principal de todos os nossos problemas? Não. É o que pensamos quando nos deparamos com uma limitação frustrante: que é a origem de todos os problemas. Eu acredito que seja a origem do consumo de drogas, entretanto.

A solidão é a consequência do pensamento. Estamos sós dentro de nós mesmos. Talvez se pudéssemos nos comunicar telepaticamente simplesmente mostrar nossos pensamentos uns para os outros logo nos tornássemos um só. Sem solidão pois um só sabe tudo que há em si. As palavras que são nossa prisão não mais existiriam.

O que nos faz diferentes é o que nos faz miseráveis. É por isso que escrevo.