terça-feira, 8 de abril de 2008

Esvaziar a Mente

Por Guilherme de Moraes Alvarez

Aprendi a resolver o cubo de Rubik (Rubik's Cube). É muito legal.

Por favor, comentem. Não vou crescer mais se ficar falando sozinho. Não precisa dizer quem é.

Esvaziar a mente não é fácil.

Eu estou passando por um momento difícil. Sei como é complicado fazer coisas do tipo esvaziar a mente. É necessário, entretanto.

Antes de falar no que eu pretendo falar vou falar sobre como me sinto agora.

Eu estou sofrendo. Quem lê o Crônicas já sabe. Quem lê o Crônicas também deve saber por quê. Mas não temam. Eu já conheço a solução (ou parte dela). Descobri através de uma pessoa que já entendia isso muito antes, embora não fosse expressar com estas palavras. Se esta pessoa ler talvez ela concorde comigo.

Estou sofrendo porque estou muito apegado a uma coisa material, um corpo no espaço. Eu preciso me libertar desta obsessão pela matéria. Claro que eu não vou esquecer o prazer que me proporciona(ou) esta matéria. Não vou deixar de usar a matéria. O intuito do desapego é saber que a matéria é secundária, complementar, que vem e vai. Quando a pessoa se liberta da matéria (por exemplo, um ciúme incontrolável de alguém, o que é bem comum), ela se torna apta a apreciá-la pelo que ela é: matéria; e apta a apreciar o que existe por trás desta matéria, o amor, o carinho, o conhecimento mútuo. Precisamos nos libertar da vontade doentia de possuir singularmente. Eu sempre soube disso. O sofrimento some a partir deste ponto e é substituído pelo puro prazer da matéria, sem obsessão, e do que estiver por trás dela.

Pois, bem. Como apreciar uma coisa (ou pessoas) pelo que ela proporciona de felicidade se qualquer desvio (como gostar de uma música que me incomoda, no caso das pessoas) mancha esta felicidade? Seria a felicidade dependente de acontecimentos (ou ausência deles) que não interferem na relação com a coisa? Eu penso que não. O amor está além da matéria (dãa). O que acontece com a matéria que não modifica as propriedades da mesma é totalmente (sim, totalmente) irrelevante. A mesma coisa para coisas. Um chinelo não deixa de ser o meu chinelo favorito se alguém o usar em algum momento (desde que não deforme ;) ). Uma pessoa que me ama não deixa de me amar pelo que ela faz ou deixa de fazer, como se divertir com outras pessoas. Uma pessoa que me ama não deixa de me proporcionar prazer por ter proporcionado prazer para mais alguém. É difícil de aceitar, mas eu penso que o problema é mais cultural do que instintivo.

Pensando friamente sobre o problema, ele desaparece. Já parou para pensar que alguém que adora a sua comida comeu em um ótimo restaurante, não deixou de adorar a sua comida? A recíproca também: se você cozinha para outras pessoas, sua comida deixa de ser especial para aquela pessoa? Se alguém se diverte com outras pessoas em um determinado tempo ou ocasião, deixa de ter o que compartilhar com você? Você deixa de ter o que compartilhar com esta pessoa?

Parece evidente que não, mas os seres humanos de hoje jogam fora sua felicidade o tempo todo porque não conseguem se desapegar, porque são obsessivas.

Como deixar de ser, então? Como esquecer a obsessão? Simples.

A melhor maneira de descobrir e sentir o prazer puro, sem a obsessão, é experimentar a liberdade. Se você adora muito seu chinelo preferido e não deixa ele calçar outro pé, use outro chinelo, e veja como aquilo não é importante. Perceba como seu chinelo não deixou de servir no seu pé porque você calçou outro. Note como seu caderno de aula não é sua única fonte de conhecimento. Veja como suas roupas não são as únicas que lhe servem. Sinta como quem você ama não é a única pessoa que pode lhe proporcionar prazer. O envolvimento é único e proporciona o maior prazer, sim, como o caderno proporciona o melhor conhecimento, mas não significa monopólio.

Se você se sente muito mal porque alguém se diverte com outras pessoas, tente se divertir da mesma forma. Veja como isso não muda a relação entre você e este alguém.

Quando uma pessoa reconhece que a matéria não faz distinção é que se liberta da mesma. Se libertar do chinelo não é andar de pés descalços, é usar outros chinelos, e aceitar que usem o seu próprio. É saber que o chinelo vai continuar lhe servindo, não importa o que aconteça. Desta forma amar é para sempre, possuir é momentâneo. Não se deixa de possuir, pois é o propósito da matéria, mas deve-se aceitar que outros também possuam, assim como que se possua outras.

Acho que vou deixar os instintos pra outro post.

A outra parte é decisão. Decidir o que se é (a essência vem depois da existência). Para entender que a matéria é apenas matéria, e abandonar a obsessão, não há fator externo. Tão pouco se trata de algo imutável. A sabedoria vem da própria decisão, a decisão de parar de sofrer (pelo que é material). Quem não se liberta da matéria, da obsessão, estará sempre sofrendo. Dia e noite a possibilidade de perder o material vai causar sofrimento. Decidir é o passo mais importante. Descobrir o resto é consequência natural.

Parece que eu tive que sofrer muito para aprender isto, apesar de saber o tempo todo (saber e entender são coisas bem diferentes, infelizmente). Muito sofrimento causei com minha ignorância, além de outras coisas. Entender o que eu entendo agora me traz alguma paz, afinal. Não vou mais machucar quem eu amo.

Estou mais tranquilo.

Ainda assim, o sofrimento pela perda do que eu desperdicei continua, pois não mais possuo nem a matéria nem o carinho, nem o afeto, etc. Sofro com serenidade. Mas agora eu possuo outra coisa que me impulsiona na ausência da felicidade que abandonei, outra forma de amar e ser livre, outra forma de apreciar que a matéria se compartilha, e de buscar minha felicidade de novo. Agora que eu entendo, depois de muito ter perdido, a certeza de que o amor não some, possuo algo novo, pela primeira vez: esperança.

sábado, 5 de abril de 2008

Atualização

Quer saber como eu me sinto?

Uma merda.

Estou fazendo o que eu decidi que é certo, mas ninguém acredita. Tudo vai dar certo, mas até lá eu estou sendo inconsequente. Eu planejei tudo. Eu pensei em cada consequência. Eu quero fazer o que eu estou fazendo. Só assim eu vou crescer. E só depois disso eu vou ser feliz.

O Patrick disse: "Não fica te deprimindo que isso não ajuda. Faz o que tens que fazer."

Exatamente!

A causa nº 3

Por Guilherme de Moraes Alvarez

Pois, bem!

Outro post eu falei sobre as causas do sofrimento humano. Também disse que falaria mais sobre elas. Pois hoje é o dia.

Aconteceu numa conversa com uma pessoa domingo passado. Estávamos divagando sobre relacionamentos íntimos e eu tive uma epifania (também conhecido como 'insight').

As pessoas sofrem porque são diferentes. Estamos o tempo todo esperando que as pessoas ajam como nós agiríamos, ou nem isso, se formos hipócritas. Nos decepcionamos muito com todos. Esquecemos que não somos perfeitos, que o que pensamos que é certo só funciona para nós, e que não existe certo. Se dois povos estão em guerra disputando a última reserva de água no mundo, quem está certo, quem merece vencer? Poucas vezes lembramos disso. Muitos não sabem. E qual seria a consequência se todos soubessem? Se ninguém pensasse que existe certo absoluto o que ocorreria com a sociedade? Caos? Eu acredito que não.

O que nos faz agir nas relações não pessoais (aquelas que temos com pessoas desconhecidas) com responsabilidade é a necessidade de reciprocidade. Daí retiramos a ideia de certo e errado no nível impessoal. É errado queimar a banca de revistas. Na verdade (e verdade também não existe, mas isso é só uma expressão), não é certo nem errado. Queimar a banca de revistas é auto-destrutivo, por isso que ninguém faz. Cedo ou tarde teremos retribuição por ações que deliberadamente prejudiquem as pessoas. É desta forma que mantemos uma sociedade civilizada (ou tentamos). Quando você queima a banca de revistas, toda a sociedade se sente lesada e insegura. A sociedade cuida de neutralizar você (ou, novamente, tenta) em retribuição.

Isso funciona quase sempre para as relações não pessoais (existem excessões), mas falha vergonhosamente nas relações pessoais.

Quando as pessoas se relacionam de qualquer forma elas criam expectativas mútuas, esperando que um faça o que o outro pensa que é certo. Quanto mais proximidade, mais expectativa, e mais detalhadamente temos que fazer o certo.
Eventualmente erramos (na concepção do outro), e isso magoa as pessoas. Acontece o tempo todo, e destrói as relações. Também é assim com as ideias e opiniões. Ninguém compartilha todos os gostos e opiniões com outra pessoa. Estamos sempre em desacordo. Pode ser seu irmão gêmeo, não importa. As pessoas podem ficar décadas se machucando porque querem que os outros ajam e pensem segundo seus valores.

É um grande problema. Nunca impediu as pessoas de tentarem, mas creio que muitas são infelizes nessas condições. Além disso, as outras causas de sofrimento são agravantes desta. Quando uma pessoa não consegue sucesso profissional adequado sua companheira muitas vezes o abandona por esperar que a pessoa faça as coisas de forma diferente. Depois disso tudo pode virar uma bola de neve. O sofrimento gerado pelo desemprego alimentando o sofrimento pelo desentendimento que gera a separação que traz ainda mais sofrimento. Não sei porque as taxas de suicídio não são maiores.

O primeiro passo que enxergo para superar este sofrimento é valorizar as pessoas. Esperar delas o que elas já lhe proporcionaram de prazer, e ajudá-las a superar suas dificuldades, ao invés de julgá-las inapropriadas. Este passo no amadurecimento pessoal é muito importante. Ninguém, nunca, será igual a você. Aprenda a discordar com respeito e apreciar as qualidades. Claro que não devemos forçar a convivência com pessoas irritantes, mas tão pouco devemos deixar uma pessoa agradável de lado porque ela vota no PMDB.

O segundo passo que vejo é, paradoxalmente, reservar certa distância das pessoas, intelectualmente. Conversar todos os dias com a mesma pessoa sobre concepções filosóficas pode ser muito frustrante. Note-se que os melhores relacionamentos são com as pessoas com quem conversamos mais besteira do que coisas sérias, geralmente nossos melhores amigos. Existe entre namorados, noivos, maridos e mulheres, etc, uma determinada resistência às ideias e hábitos um do outro, a chamada birra. A birra é muito fácil de se instalar. Ela ocorre porque estamos o tempo inteiro analisando a pessoa. Cada pequena diferença se torna uma resistência. Depois de certo tempo as pessoas estão brigando mais do que não brigando. Para evitar a birra devemos esquecer o que pensamos que é certo nos mínimos detalhes e passar a apreciar as qualidades da pessoa (que são muitas, sempre). Devemos nos concentrar nas boas experiências. Não é tão difícil.

Dito isto, fica uma pergunta. Por que analisamos excessivamente a pessoa que desejamos do nosso lado para o futuro? Eu só consigo pensar em uma resposta: seleção natural. É incrível como nossos instintos fazem parte de nossa vida e como sofremos porque eles estão desatualizados. Já escrevi sobre isso. Analisar o companheiro é um dos instintos mais fortes que existe (ou seria existem?). Foi muito importante para nossa evolução. Hoje não é mais. O ser humano não respeita mais as regras de seleção natural, pois não está interessado unicamente na melhor prole. Estamos interessados na nossa própria felicidade. Muitos de nós sequer desejam se reproduzir. Para ser feliz, alguns instintos têm que ser suprimidos. Não precisamos mais do melhor espécime para reprodução. Precisamos da pessoa que nos faz mais feliz, ou nenhuma pessoa, se preferirmos.

O sofrimento é inexorável, mas não significa que devemos fugir. Muitas vezes podemos enfrentar o sofrimento, com sensibilidade e criatividade. Muitas vezes podemos ser felizes.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Frustração

Por Guilherme de Moraes Alvarez

Já se frustrou hoje?

Acho que a vida não era tão complicada nos primórdios. Na Mesopotâmia, por exemplo, as pessoas ganhavam terras do Estado para cultivar, davam um pouco da produção para a administração e o resto ficava pra si. As leis eram um tanto severas e se descobrissem que você operou falcatruas te arrancavam alguma coisa do corpo (adultério era super perigoso), mas no geral não era uma vida difícil. Só não tinha internet.

Hoje você tem que passar por um bocado de incomodação apenas para viver. Para arruinar sua vida basta esperar. As frustrações são muito maiores.

Os mamíferos todos têm, acredito eu, um senso de frustração. Nós, humanos que pensam que pensam (homo sapiens sapiens), vivemos pensando nisso, mas acho que todos se frustram.

As formigas eu imagino que não. Os guepardos, sim.

O que torna a frustração humana tão especial? Boa pergunta. Eu teorizo (habitualmente).

A nossa frustração é especial porque nós cultivamos formas de frustrar uns aos outros. É isso. Os guepardos não frustram outros guepardos. Os cervos e os búfalos frustram os guepardos. As secas frustram os búfalos e os cervos. De vez em quando uma fêmea rejeita um macho, mas sem ressentimentos, não é pessoal. Isso acontece conosco também. Somente os humanos, entretanto, possuem sistemas desenhados para frustrar as pessoas como efeito colateral (ou até como objetivo).

Perdi a vontade de escrever. Depois eu continuo.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Em frente (conteúdo moderadamente pessoal)

Por Guilherme de Moraes Alvarez

Pois bem, estou seguindo em frente. Já tenho emprego aqui em Porto Alegre. Não sei se vai funcionar ou se vou ter que retornar para Rio Grande, mas naturalmente estou me dedicando para que não volte.

A má notícia é que muita coisa passou e eu perdi oportunidades. Não sei até que ponto eu cresci com isso ou se valeu o sofrimento. E é um bocado de sofrimento (como aquele refrão do Deep Purple da música Never Before).

Não sei. O que eu não posso saber não me interessa.

Pra quem pergunta por que estou fazendo isso (note o uso possivelmente errado do 'por que') eu respondo. Mande um e-mail para moraes.alvarez@gmail.com com a seguinte frase: Guilherme, por que estás fazendo isso?. Aguarde confirmação do recebimento. Você pode ganhar muitos prêmios.

Adiantando para quem não achou graça da piada acima eu explico (estou benevolente hoje). Estou fazendo isso porque eu sou eu. Se eu fosse uma de diversas pessoas diferentes eu não estaria fazendo isso. Já que eu não quero viver com a derrota até o fim dos meus dias eu faço isso (não que estas pessoas quisessem, é que eu me sinto num patamar de auto-conhecimento avançado e tenho convicção do que vai me fazer feliz).

Se você não gostou envie suas sugestões para moraes.alvarez@gmail.com ou deixe comentário no blog. Nossa equipe estará examinando seu recado e estaremos implementando as novas idéias de acordo com a necessidade da administração.

Quanto à filosofia? Quem se importa? Eu! Então já é suficiente.

Meu livro começa semana que vem. Quem estiver interessado nos primeiros capítulos para avaliação pode me pedir, mediante compromisso (um fio do bigode) de não roubar minha obra.

Quem mora em Porto Alegre e quiser plano de saúde espere até segunda e me avise.
Quem não quiser que se esfole.

Por fim; estou com uns pensamentos aqui, mas não estão bem formulados ainda. Postar-los-ei em breve.

Aviso

Hoje mais tarde tem post.

sábado, 29 de março de 2008

quarta-feira, 26 de março de 2008

Atualização

Quer saber como eu me sinto?

Uma merda.

terça-feira, 25 de março de 2008

Do espírito das leis...

Por Guilherme de Moraes Alvarez

Pois bem!

Quem quiser saber de mim, estou longe.

Imagino que as pessoas sempre tem um ponto de mutação (como o daquele escritor, que por um acaso eu não li). Meu ponto de mutação passou e eu ainda sou uma lagarta.

Entretanto, já me culpei demais por isso, já analisei demais também. Agora vou fazer o que eu acredito que é certo. Chega de ouvir todo mundo. Não sei o que eu devia ter feito no ponto de mutação. Pensei estar fazendo a coisa certa e considerei tudo o tempo todo procurando um equilíbrio. Não existe equilíbrio. A Mãe Natureza errou nessa ou eu ainda não entendo a vida muito bem. Quem entende? Não importa. A vida não pode ser explicada caso alguém a entenda. De qualquer forma eu não quero mais brincar.

Sinceramente tenho me decepcionado tanto comigo e com a vida que não sei se vale o esforço. Não sei porque as pessoas se incomodam em seguir em frente. Tanta gente sofre tanto por tão pouco. Posso enumerar até:

1- as pessoas sofrem em vista das condições de vida absurdas que a maioria vive. Por quê elas estão assim? Não é por que (veja que não sei usar perfeitamente os "por quês" e duvido que alguém me convença da importância de saber) não têm vontade de mudar. Imagino que seja porque a reação coletiva às adversidades vença a perseverança pessoal quando ela não é extraordinária.
Vivemos numa sociedade de exclusão e estamos séculos atrás das sociedades civilizadas desse mundo. Devo discorrer mais sobre isso futuramente.

2 - as pessoas sofrem por se sentirem impotentes com ... bem, tudo. Isso é uma consequência de outros sofrimentos, mas é um aspecto importante do todo. O sentimento de impotência é precisamente o aspecto mais desastroso do sofrimento. É o que nos enche de um desespero que tira o fôlego, que escurece a mente. Vencer o sentimento de impotência é a parte mais difícil.

3 - as pessoas sofrem porque são diferentes. As pessoas estão constantemente se decepcionando umas com as outras. Eu sempre tentei esperar o mínimo de todos. O que fosse mais importante. A única falha é que as pessoas esperam coisas diferentes entre si. Eu estou sempre decepcionando alguém. Não foi uma vez, ou duas, nem uma pessoa, ou três. Como viver se se está sozinho? O que esperar da vida se ela consiste de um intervalo de prazer entre cada sofrimento? Não sei.

Ninguém está no mundo para começar de novo. Não existe começar de novo. Não existe equilíbrio. O que existe eu sei. O que pode existir não me interessa.

Sartre era um cara esperto. Pois não sei se ele foi feliz. Pouco importa. Mas ele pensou umas coisas que fazem sentido. Nós somos o que escolhemos fazer de nós mesmos. Nossa existência precede nossa essência. Nossa essência é criação original. Cada um faz a sua. Pelo menos até que se prove o contrário.

Li do Dalai Lama atual que o sofrimento deve ser entendido e que um significado deve ser extraído se quisermos fazer dele um aprendizado para nossas vidas. É uma idéia interessante. Quem sabe a vida fique melhor depois de extraídos todos os significados. Quem sabe isso nos leve a uma essência melhor.

Talvez o mundo seja melhor quando as baratas forem a espécie dominante.

Quem quiser saber de mim, eu não sei. Sei que não há mais lugar para mim aqui. Vou embora.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

O fim da filosofia

Por Guilherme de Moraes Alvarez

Então

Eu estava no ônibus hoje vindo pra casa e por alguma razão eu pensei essas coisas que vou explicar.

Ou

Eu estava no ônibus hoje, vindo pra casa, e,por alguma razão, eu pensei essas coisas que vou explicar.

A grande pergunta (primordial) da humanidade é: existe livre arbítrio? Ela pode ser feita de várias formas, mas o conteúdo não muda. Acho que Kant foi o primeiro, ou tinha alguém antes dele. Não sei. Acho que deve ter mais alguma coisa ou essa é uma parte da pergunta do universo porque não vejo como a resposta seria 42.

Tudo começou numa grande explosão. Ou pelo menos é isso que sabemos agora, e estamos satisfeitos. Os antigos não sabiam disso. Eles sabiam muito pouca coisa. Então eles viajavam mesmo. Acho que o Demócrito (o cara do átomo) foi o que chegou mais perto de algum conhecimento concreto, mas ele não tinha nenhuma base científica. Mesmo assim foi muito bom.

Mas ai veio a ciência, e o Newton, e o universo foi desvendado. A filosofia de desvendar o universo ficara desatualizada. Desde então a filosofia migrou para um patamar diferente: o ser humano. Os antigos não queriam saber do homem. Eles queriam saber como funcionava tudo. Os modernos não se importam com o universo. Só querem saber do homem.

O nó cego da filosofia reside na incapacidade empírica. Muito para contragosto de Descartes, a razão não é toda poderosa. Precisamos de bases empíricas para ir adiante e nosso conhecimento do ser humano ainda é muito limitado, especialmente sobre nossa mente. Vou escrever mais propriamente sobre isso mais tarde (talvez num livro). A filosofia encontra obstáculos no conhecimento limitado da humanidade. Os antigos não sabiam como funcionava o universo e ficaram parados nessa questão até o surgimento da ciência. Eles não tinham para onde ir intelectualmente. É o mesmo tipo de obstáculo que vivemos hoje.

A filosofia da humanidade tenta, essencialmente, definir como devemos viver e o que é ser humano. A partir daí surgiram diversos grandes filósofos(as). Também vou me aprofundar nisso mais tarde. A pergunta que nunca calou e cuja resposta torna obsoletas todas as suas divagações é exatamente a primordial.

A saber: somos definidos por eventos no passado ou podemos escolher nosso caminho? Eu vejo três possibilidades:

1. A tenebrosa. Os eventos do passado e uma infinidade de coisas incalculáveis como as nossas sinapses e os hormônios definem o que vamos fazer. Assim, numa interminável corrente nossas escolhas passadas definem nossas atitudes presentes até o ponto em que a nossa educação e criação definem nossa personalidade, assim como a genética. Ainda, a educação e criação de nossos pais definiram suas personalidades e assim por diante até Adão e Eva. Estamos inexoravelmente presos numa corrente de eventos interligados. A genética tem grande papel nessa hipótese. Estudos com gêmeos idênticos mostram que eles, ao serem separados no nascimento, tendem a ser muito parecidos no futuro (intelectualmente); gostar das mesmas coisas e se vestir de forma parecida e ter os mesmos hábitos e assim por diante. Seria isso indício de que nosso gosto musical é genético? Impossível saber. Essa hipótese tem toda uma corrente filosófica que eu acho que se chama determinismo.

2. A dos orgulhosos. Apesar dos eventos estarem sempre interligados, em última análise o ser humano detêm o poder de mudar tudo. Sempre podemos dizer "chega". Esta hipótese se apoia principalmente no existencialismo. O ser humano faz a sua essência. Somos os únicos capazes de escolher nosso caminho porque somos a única espécie consciente de si. Uma vez que determinamos nossa essência podemos escolher nosso caminho. A questão dos gêmeos fica então sob uma luz mais delicada. Apesar de se tornarem parecidos em suas vidas, os gêmeos idênticos têm a escolha de mudar em qualquer momento. Eles sempre poderão criar novos gostos e ficar diferentes um do outro. A medida que amadurecemos, nosso genótipo tem menos poder sobre nossas vidas.

3. Matrix, um meio termo. Nossas escolhas no passado determinam o que acontece em nosso presente, mas em nosso presente fazemos as escolhas de nosso futuro. A medida que entendemos nossas escolhas é que fazemos escolhas conscientes. Você pode pensar que escolhe um sabor de cheeseburguer na hora que compra, mas você já escolheu em algum momento mais cedo, inconscientemente. Quando você "escolhe" na hora de comprar você está apenas externando um desejo inconsciente que se formou mais cedo, e enquanto isso você faz novas escolhas inconscientes para o futuro. Escolhas conscientes determinadas por desejos mais primordiais também determinam os acontecimentos do futuro. Assim, somos uma complexa mistura de escolhas conscientes, inconscientes e desejos que moldam nossa existência. Não conheço corrente filosófica que vá nessa direção, mas certamente há alguma.

Desta forma, não há como prosseguir para uma conclusão porque não há uma certeza científica sobre a natureza do ser humano. Podemos escolher a corrente que mais nos agrada da mesma forma que os antigos escolhiam se o universo era feito de átomos ou fogo, água, terra e ar. Somente quando a ciência desvendar o mistério de nossa liberdade é que poderemos seguir adiante.

Só não sei se isso é algo que merecemos descobrir. Talvez a humanidade não esteja pronta pra esse tipo de conhecimento. Eu sei que não estou.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Soneto (para os que odeiam soneto)

Por Guilherme de Moraes Alvarez

Antes um cai cai:

Que doença é essa
Que adoeçe a palavra,
Que me rouba o prazer
De poder escrever?

-

Quem mandou mandamentos
Que destroem a mente,
Que parecem perfeitos
Mas não servem pra gente?

Quem diz sim ou não
Só, como se fosse todos?
Quem é o filho da puta que pensa
Que sabe o que é melhor pra mim?

Toda luta por pão
Só se é livre de deus
Quando deus não existe

Só acredito no homem são
Que um dia disse aos seus
Qua à vida só o amor resiste

-
Tô de férias

I.E.E. Juvenal Miller

(53) 3232 3746