sábado, 4 de fevereiro de 2012

A letra H é uma cerca.

Algumas vezes eu me pergunto o quanto estamos em contato uns com os outros.


Meu professor de filosofia na faculdade (o incrível Jaime) em uma aula disse que a quantidade de informações que nunca escapam nossa mente é muito grande e que as palavras são meras sombras do que queremos expressar, sempre incompletas. Isso não é uma novidade.

A conclusão inevitável é que estamos inexoravelmente sós dentro de nossas mentes. Somos computadores sem tela. As artes seriam formas de expressão visando expandir nossa compreensão uns dos outros, mas pouquíssimas pessoas dão a minima atenção a quaisquer coisas que não sejam filmes pop de Hollywood que sinceramente já perdi a paciência de assistir. Talvez seja essa a magia dos reality shows. Observamos experimentos em outros seres humanos para tentar compreendermos-nos melhor. Talvez sim, talvez não.

Será a solidão que nos assola por nossa incapacidade de comunicação a razão principal de todos os nossos problemas? Não. É o que pensamos quando nos deparamos com uma limitação frustrante: que é a origem de todos os problemas. Eu acredito que seja a origem do consumo de drogas, entretanto.

A solidão é a consequência do pensamento. Estamos sós dentro de nós mesmos. Talvez se pudéssemos nos comunicar telepaticamente simplesmente mostrar nossos pensamentos uns para os outros logo nos tornássemos um só. Sem solidão pois um só sabe tudo que há em si. As palavras que são nossa prisão não mais existiriam.

O que nos faz diferentes é o que nos faz miseráveis. É por isso que escrevo.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Temos que ensinar às crianças o que é certo e errado.

Vou começar direto pelo ponto. Não existe certo nem errado. Todos os valores são relativos ao estado do conhecimento disponível.

De vez em quando eu escuto uma pessoa dizer que as crianças precisam aprender o que é certo e o que é errado desde pequenas. Eu raramente quero entrar em discussões porque não tenho paciência com quem eu, na minha prepotência, entendo que é muito ignorante, embora eu tenha me esquivado de algumas discussões com meus amigos por querer evitar que eles percam a paciência comigo - na minha prepotência. Algumas vezes eu gostaria. Me sinto absurdamente frustrado com frases como estas. Talvez eu devesse jogar minha frustração de volta a quem me causa, mas acho que isto seria insensível e egoísta da minha parte. Eu prezo o fato de que cada um tem a capacidade de formar sua própria opinião, apesar de poucas pessoas formarem.

A questão é que a teoria de que certos valores que compreendem condutas certas e erradas são absolutos não se sustenta. Isto pode ser demonstrado pela simples mudança de valores comumente aceitos no tempo. O próprio homossexualismo - fato comum na classe dos mamíferos - primeiramente era aceito e incentivado por algumas civilizações clássicas, depois passou a ser rejeitado pelas civilizações médias, e por fim está voltando a ser aceito, embora ainda seja alvo de preconceito amplo. Territorialmente também há uma clara divergência de valores que dizem respeito a certo e errado. Até mesmo mudanças de humor extremas ou uma grande frustração podem mudar os valores ou torná-los relativos.

O que leva as pessoas em geral a acreditar que há um núcleo de valores universais absolutos que todos devem conhecer e respeitar é o medo de que sem isso não haja segurança para as atividades do cotidiano, que se instaure o caos. Um medo válido, porém infundado. Os valores são relativos apesar das crenças de absolutismo moral. Nem por isso a sociedade é caótica. As relações se apoiam em alguns valores em comum e na necessidade mútua. Os valores em comum não precisam sequer existir se a necessidade for suficientemente forte para que as pessoas se relacionem produtivamente.

No nível pessoal é importante saber que não existem certo e errado. A vida é repleta de situações extraordinárias e muitas vezes a pessoa se vê no que seria uma exceção às regras de conduta, do certo e do errado. Ao acreditar nestes valores como absolutos a pessoa entra em inevitável conflito do que ela quer fazer e do que ela pensa que é certo fazer. Este conflito geralmente leva a pessoa a pensar que possui uma falha de caráter, um defeito em relação aos outros, já que deseja o errado. Tal conclusão pode levar a sofrimento desnecessário e é o que eu vejo acontecendo muitas vezes.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Pensar Estadunidense

Duas coisas devem ser ditas que ninguém tem coragem, eu imagino. Eu tenho.

A primeira é a menos importante, mas por pouco. As duas tem muito em comum. São conclusões uma da outra, em qualquer ordem.

Estava tendo um sonho com chuva de meteoros devastando o mundo. Por alguma razão eu acordei e lembrei pessoas sendo decapitadas. Acho que o sonho se desviou para zumbis e eu imaginei que seria melhor usar espadas do que armas para matar zumbis. Zumbis são lentos e tudo mais.

Lembrei de um vídeo de uma pessoa sendo decapitada. Difícil de esquecer. Forte o vídeo.

Foi então que lembrei de uma notícia que vi ontem de uma mulher que foi decapitada por suspeitas de que era uma bruxa. Isso mesmo. Em algum lugar do mundo islâmico as pessoas estão matando outras pessoas por acreditarem em bruxas.


http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/12/111213_saudita_executada_bruxaria_fn.shtml

Eu não sei. Talvez eu esteja sendo muito radical. Eu penso que isso é completamente absurdo e que os Estados Unidos da América devem invadir esse lugar e levar a tal democracia pra lá. Podem explorar o petróleo e destruir tudo e depois fazer as pessoas de lá pagarem pela reconstrução. Desde que terminem com essa estória de decapitar pessoas por bruxaria. Fica a sugestão.

O que me fez pensar nas religiões em si. É triste na verdade. A maioria das pessoas que eu conheço são bem equilibradas apesar de serem crentes. Até este ponto tudo está ótimo. É só quando as pessoas se baseiam em crenças para machucar ou excluir as outras que eu fico deprimido.

O que precisa ser dito é o seguinte: a religião e as crenças divinas são fugas da realidade da vida. A vida não tem sentido. A vida não é justa. Na impossibilidade de se enfrentar estes fatos, ilusões são criadas que fazem a vida ser suportável. Nada contra. Só pra constar.

O budismo é bem legal. Eu acho válido. Não é uma religião propriamente.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Desobediência

Pode o Estado combater qualquer desobediência com violência?

Parece uma pergunta boba, mas eu tenho absoluta certeza que muitas pessoas que eu conheço e respeito vão dizer que sim. Vão dizer que o Estado está protegendo o bem comum, e que mesmo que uma desobediência seja pacífica, o Estado deve inibi-la até que ela pare, mesmo que isso requeira violência.

Eu pessoalmente penso que não. Eu inclusive penso o contrário. Mesmo desobediências violentas devem ser combatidas com inteligência, não com mais violência. Desobediências pacíficas provavelmente não devem ser combatidas, devem ser compreendidas, como eu certamente já disse aqui.

Vale lembrar que a violência é o último refúgio do incompetente.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O que é proibido é liberado.

Uma nova frase a adicionar no contexto.

O que é proibido é liberado.

Será explicada no futuro, após eu explicar para uma banca se o ICMS se aplica no licenciamento de programas de computador de prateleira.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Justiça é...

Aqui vai uma frase de impacto, peso e tudo mais, incluindo polêmica.

Há muito que todos falam em justiça e que os estadunidenses vivem atirando a demagogia para lá e para cá. É incrível mesmo como a classe média costuma ser a mais irritante, principalmente quem lê VEJA. Quem lê VEJA costuma ter as opiniões mais ridiculamente embasadas e insustentáveis diante do menor esforço argumentativo, mas não é este o foco.

Quando eu digo muito tempo eu estou dizendo meio que desde sempre. Meio porque não é possível saber ao certo o que se passava antes da escrita, mas eu tenho forte crença que justiça é um tema até entre as matilhas de lobos na Sibéria (se houver).

Lembro bem quando um grande amigo meu que era meu colega de faculdade de direito, após ler Kelsen, contou-me pasmo que o cara estava errado e que não era possível conceituar justiça. Kelsen dizia que justiça era garantir a cada um o que lhe pertence. É fácil notar porque meu amigo estava pasmo. Kelsen mesmo não acreditava muito nisso. Ele escreveu o que escreveu para acalmar a ascendente burguesia industrial após as revoluções, mas, novamente, este não é o foco.

Afinal que coloco aqui o que é justiça por enquanto (até eu mudar de ideia).

O que é a justiça?

Justiça é a manutenção da capacidade de desenvolvimento da pessoa.

Esta pede maior explicação, através do corolário.

Somente há justiça quando ausentes os resultados da ingerência externa sobre a vontade da pessoa.

O que pode ocorrer no sentido inverso.

A justiça é restabelecida sempre que se retorna, ou se aproxima, do estado das coisas antes de uma ingerência externa sobre a vontade da pessoa.

O que nos leva a um outro corolário.

A democracia é inerentemente injusta no âmbito pessoal e justa no âmbito social.

Isso por razões evidentes.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Novas frases

Antes uma foto.



 Agora texto.

Por alguma razão incrível eu não consigo lembrar minhas frases de uma forma consciente, tendo ao invés que capturar as mesmas na medida em que elas vão ocorrendo no dia-dia. Uma destas oportunidades, pelo menos, já passou sem que eu anotasse e se perdeu novamente nas relações caóticas de minhas sinapses.

Por isso que agora eu anoto no celular sempre. Cortesia destas anotações eu tenho mais duas frases para compartilhar.

Primeiro a mais chocante, ou não.

Todas as motivações são egoísticas. |Calma, isso é na verdade uma coisa boa.|

Depois vem a mais leve.

Somente o hábito leva à perfeição.

sábado, 22 de outubro de 2011

Chris Rock

Chris Rock: Never Scared

Assista. É bom demais. Além disso é necessário para eu poder explicar muitas coisas sobre as pessoas, que é o que eu pretendo em breve.

Nada mais para o momento.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Seguindo o plano

Este post não é sobre seguir planos.


Acabo de atualizar a página dos axiomas com mais uma frase. Pense nela e comente. Em breve eu vou discorrer sobre as frases aqui no blog.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Tipo Confúcio

Já algumas vezes aconteceu que eu citei uma frase que costumo repetir - a maior parte de minha autoria - porque contém conhecimento importante na minha opinião que eu sinto a obrigação de compartilhar (que incrivelmente não está no código civil, mas já lanço a ideia) e me vi tentando lembrar das outras que eu costumo repetir. Eu sempre me esqueço, o que é bom na medida em que eu não fico palestrando as minhas frases de sublime sabedoria (pontuação de ironia aqui), mas é ruim porque me acentua a mais agonizante das sensações: impotência.


Por essas e só por essas que eu decidi colocar elas aqui neste post na medida que eu for lembrando delas. Mais tarde eu vou fazer um post detalhado sobre cada uma delas. Vou linkar tudo ali do lado pra fácil acesso mais tarde, já que essas frases serão os axiomas da minha filosofia, eu acho.

Então aqui vai, começando por frases de outros, depois as minhas, em nenhuma ordem relevante.

Dos outros

"Violência é o último refúgio do incompetente." Salvor Hardin em Foundation, por Isaac Asimov.

"Não tente. Faça, ou não faça. Não existe 'tentar'." Mestre Yoda em Empire Strikes Back.

"Você vai saber... quando estiver calmo, em paz [..]" Mestre Yoda em Empire Strikes Back.

"Só é diferente na sua mente." Mestre Yoda em Empire Strikes Back.

As minhas

Compreensão é a maior fonte de prazer da mente.

Mais...

Tem muito mais. Eu vou lembrando e atualizando.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Imagem do Dia




Só para não dizer que nada posto.

Pelo menos uma vez por semana vai ter alguma coisa.

Hoje é uma foto.

Eu a chamo de "O futuro pós-apocalíptico será pneus queimados."

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Eis a questão (beber ou não beber)

Sempre que a dor de cabeça ataca no dia seguinte e as memórias ressurgem depois de um, muitas vezes ótimo, sonho, é comum o questionamento pós trauma das ações cometidas e das obrigações contraídas na noite (ou dia, por que não?) anterior. É uma questão mais do que financeira ou jurídica, ou fiscal (por que não?). É uma questão basicamente filosófica, mas não muito.

Quem nunca disse ou ouviu algumas verdades quando bêbado, ou quando outros estão bêbados, ou quando todo mundo está bêbado, certamente nunca saiu de casa. A desinibição do álcool é o efeito desejado, mesmo que só lá no fundo, justamente para remover a barreira de hipocrisia que faz alguém negar, ou só omitir, que está bebendo para provocar a desinibição. Ou eu estou errado, ou não acredito nisso, o que realmente não sei porque não estou, neste instante, devidamente bêbado. A questão fica sendo - frise aqui - se a desinibição é um despimento da bagagem excessiva para aflorar (ou desimpedir) a verdadeira pessoa, ou outro animal. Seria a embriaguez o único estado de consciência honesto que mostra quem realmente alguém é e o que realmente pensa?

Uma grande pensadora amiga minha defende que sim, que a bagagem de inibições é uma cobertura de mentiras que nos afasta do que ou quem somos realmente. É uma coisa que perdemos quando bebemos o suficiente, o que nos leva a um estado de verdadeiramente ser. É um argumento forte. Eu poderia escrever muito mais sobre ele, mas seria fazer o trabalho pelo leitor, e eu tenho preguiça.

Eu, por outro lado, penso que a camada de inibições é parte de quem somos e que quando ela se perde, inevitavelmente somos menos. Não é impossível e nem raro que em sendo menos podemos ser melhores, e se todos fossemos seríamos mais felizes, ponto em que concordo com ela. Entretanto, um exame profundo eu creio necessário do que é bagagem excessiva e do que é decisão de personalidade. Creio que há um ponto ideal de perda de desinibição, e que ultrapassá-lo nos torna excessivamente menos, e que alcançá-lo nos torna idealmente menos. Na medida certa.

Eu poderia discorrer mais, mas o leitor tem preguiça.