quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O controle de constitucionalidade

Pois, bem.

Na prática não é possível imaginar constituição sem controle de constitucionalidade, por qualquer meio que seja escolhido para efetuá-lo. Se as decisões da maioria são verdadeiramente soberanas, não há como ela se subjugar a vontade de uma maioria anterior, pertencente a uma sociedade anteriormente contextualizada.

O perigo que se coloca nessa conjectura é o da ditadura da maioria. Uma sociedade soberana e democrática onde as minorias não tem direitos garantidos. Assim que uma questão surja de necessidade para a maioria, a legislação será alterada, mesmo que isso signifique que os direitos das minorias não sejam mais respeitados. Isso estaria acontecendo por uma necessidade mais importante do que o respectivo direito. Sem falar nas diferenças de opinião que interferem nas garantias de direitos, como diferenças de credo e opção sexual.

A realidade da revisão judicial se explica pela limitação intrínseca da democracia que vem da representatividade necessária a sua existência. O representante democrático não foi concebido para resolver o desacordo, nem para pensar nas necessidades do todo. O representante democrático representa. Nada mais. Se na prática ele representa menos do que a opinião e vontade de sua base eleitoral, e mais a vontade de quem suporta sua candidatura e sua campanha, só se aumentam os argumentos a favor da revisão judicial. Não é concebível que o representante de uma parcela da população se preocupe e decida além ou extraordinariamente aos ideais que está ali para representar. Democracia é exatamente o contrário. É a firme defesa das ideias que estão sendo representadas. É a transposição da vontade de um grupo de pessoas para sua parcela de representantes. O representante democrático deve, para cumprir exatamente seu dever, ignorar e até combater as ideias dos outros, das outras parcelas da sociedade.

Por esta limitação que é impossível, na teoria e na prática, exigir que o legislador seja coincidente com os direitos de todas as partes da sociedade. A decisão legislativa é sempre controversa. É sempre uma escolha que envolve sacrifícios. Por isso deve ser balizada por um corpo mínimo de direitos incontestáveis que será protegido para todas as pessoas. É justamente pela representatividade do parlamento que estas questões devem ser analisadas fora dele, com autoridade que o subjugue em caso de violação.

sábado, 6 de agosto de 2011

Boca de Rua

Ler jornal é um hábito muito recomendado. É um hábito cultuado pela sociedade, eu diria, embora poucos o sigam. Eu mesmo leio muito pouco jornal. Uma das razões é o preço. Uma mídia que vende tanta propaganda não deveria cobrar para ser distribuída. Só compro mesmo é a ZH de domingo para ver os classificados, quando preciso. Não tenho vergonha disso.


O problema com o hábito de ler o jornal não é o preço, entretanto. É o jornal.

Se você lê ZH, está sendo enganado, para citar um exemplo. Todas as mídias de massa ou que aspiram ser são controladas por interesses econômicos e políticos. Isso não é segredo.

O que vou ler então? Como vou me informar? Você quer que eu pare de assistir TV?

A verdade é que eu quero, sim. As notícias da TV aberta são cheias de imprecisões e, muitas vezes, de simples manipulação. Muitas vezes é sutil. Pequenas coisas que aos poucos vão formando uma opinião que é possível enxergar em quase todas as pessoas. No trabalho, na faculdade, nas lojas. Sempre a mesma opinião fabricada pelos noticiário e pelo jornal. Então, o melhor mesmo é não assistir. Do jornal você ainda pode salvar uma opinião crítica, se tem consciência da opinião que estão tentando passar. Do noticiário na TV é bem mais complicado. É rapidinho, e você acaba sendo manipulado. É um lixo.

Existem, entretanto, contrainiciativas. Os blogs e os concentradores de notícias são ótimas fontes. Quanto mais coisas diferentes você ler sobre a mesma notícia, mais perto estará de saber o que é e o que não é.

Uma ótima contrainiciativa é o jornal Boca de Rua. Tanto quanto a ZH e outras, é notícia do ponto de vista de alguém. Melhor que estas outras, não tem grana envolvida. Não vive de propaganda, não tem interesse de empresas, de políticos, de grandes produtores rurais que são donos do grupo. É uma coisa bem próxima de notícia pura, e mesmo que não seja notícia pura, é outro ponto de vista. Quanto mais pontos de vista distintos conhecermos, melhor. É uma regra importante pra vida, se você curte conselhos.

Leia todos os jornais, inclusive o Boca de Rua. É muito bom saber o que se passa do outro lado da notícia.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O fracasso!

Pois, então. :(

Converti minha biblioteca de músicas e logo percebi que não adiantou.
Daí fui no DealExtreme e comprei uma placa cardbus com 2 portas USB 2.0.

Pronto, problema resolvido. Ou não.

Não, continuam ocorrendo as travadinhas. Estou ouvindo Mamonas Assassinas e fica travando. Que frustração bem grande (embora seja uma besteira). Resolvi checar a banda e o uso de cpu pra ver se o problema não estava relacionado com o que eu imaginei antes.

Pois não é que não estava, ou não era tudo.

O problema parece ser processamento mesmo. Quando meu servidor está idle, ou pensa que está, a frequência fica travada em 200 MHz. Um pentium II 200 Mhz não é tão fraco assim, mas o problema não era esse. Observando o tempo da cpu, percebi que o mpd tocando música pela placa USB consumia 49% do tempo. Como eu ainda tenho rodando o Sockso, que tem um servidor web, o CUPS pra compartilhar a impressora, o samba e um FTP, o pentium II pede água. A solução foi mexer no setup e colocar tudo no máximo. O cooler fica rodando bastante, mas nunca mais travou.

Talvez eu consiga um pentium III de alguém que não queira mais quando esse servidor aqui se aposentar, ou um desses ARMs novos que são baratinhos. Até um macbook velho me serve (se for G4).

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Aqueles scripts

Aqui os scripts da postagem logo abaixo. Créditos lá também.

Ta no meu site.

Convertendo MP3

Muito bem.

Montei um servidor para algumas tarefas aqui em casa. Dentre elas, tocar música. Instalei o maravilhoso Arch Linux (mas poderia ser Ubuntu) num notebook antigo que eu tenho e fui colocando os programas que eu precisava. Para tocar música usei o MPD (Music Player Daemon) que é o melhor pra isso (só tem pra Linux se querem saber, mas Linux é grátis, então ótimo). Pluguei o aparelho de som no notebook e, pasmem, fiquei sem audio. A saída de som estava estragada. Somente os autofalantes internos funcionavam.

Nada temamos. Comprei no espetacular Deal Extreme uma placa de som USB e um hub (em forma de vaquinha), já que as músicas estavam em um HD externo e o notebook só tem uma porta USB (1.1 ainda).

Coloquei tudo direitinho (ou direitinhosamente/corretamente, usando um advérbio como manda o bom português) e mandei ver com o aparelho de som plugado na novíssima placa de som USB.

No início tudo deu certo. Entretanto, logo notei pequenas paradinhas nas músicas. Nas primeiras vezes fiquei intrigado, mas rapidamente percebi o problema. Uma porta USB 1.1 é estreita. A taxa de dados é pequena (12mbps teoricamente, mas sempre muito menos que isso). Uma única porta compartilhando a placa de som e os dados boa coisa não podia dar. Assim, quando a taxa de dados da música somada com a taxa de dados da placa de som excediam a capacidade da porta, a música falhava.

Novamente, nada temamos. Dava pra notar que a porta estava quase conseguindo manter o rítmo. Bastava que eu diminuisse um pouco taxa de dados de cada música para um nível seguro. Minhas músicas estavam codificadas a 192kbps. Depois de ler esta página http://tuxtweaks.com/2008/08/how-to-resample-mp3-audio-files-on-linux-using-lame/ eu modifiquei os scripts e criei um terceiro para poder recodificar toda minha biblioteca a 128kbps.

Para quem se interessa estão anexos os scripts prontos (tenha instalado python-mutagen ou só mutagen e lame). É só torná-los executáveis e colocar no /bin para instalar. Depois navegue no terminal até sua pasta de músicas e digite mp3recurshrink.

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Guilherme de Moraes Alvarez

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Fotolog

Clique aqui para ver as fotos.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Sempre Coca-cola!

Antigamente se pedia coca-cola natural (temperatura ambiente) ou gelada. Hoje se pede (sempre gelada) normal ou zero [açúcar].

Não sei se o problema é o aquecimento global ou o fim da preocupação com o vírus banal da gripe. O interessante é que notei isso enquanto estava comendo um cachorro quente (sem salsisha, rá!) numa lancheria aqui em Rio Grande (onde me encontro) e ouvi um pai pedindo um refrigerante para seu filho ("me traz uma coca natural, por favor"). Então não sei se a diferença é temporal ou territorial. Quem sabe alguns comentários possam me esclarecer a questão.

Fica o alerta, entretanto: estamos nos preocupando mais com a gordura localizada do que com as temperaturas em elevação.

Também pode ser que estejamos ficando mais gordinhos, e por isso não sintamos mais o mesmo friozinho de antigamente (fraca, eu sei).

sábado, 4 de dezembro de 2010

Wikileaks

Se você ainda não assistiu o vídeo no Wikileaks dos helicópteros matando pessoas sem qualquer provocação, eu aconselho que assista.

Wikileaks é o maior avanço do princípio da publicidade que existe no mundo.
Autoridades escondendo suas ações do povo que lhes provê poder é um absurdo.

Quantas coisas nossos governos fazem sob o manto da segurança nacional que não deveria, e nós não fazemos ideia?

Nenhuma atividade pública pode ser secreta. Não há razão possível para segredos da administração.

A segurança de nada vale se for mantida por segredos.

Publicidade

http://www.collateralmurder.com

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Guilherme de Moraes Alvarez

domingo, 20 de junho de 2010

A copa do mundo é nossa!

Eu já assisti o suficiente da copa do mundo para prever psicohistoricamente o que vai acontecer daqui pra frente, com probabilidade em por cento.

Muito bem. Contra a Espanha nas oitavas o Brasil ganha tranquilo. Alemanha e Inglaterra vai ser complicado, mas o melhor dinheiro é com o Eixo. A Suíça é a seleção mais forte depois dos favoritos e deve ir até a semi com tranquilidade e atropelar do seu jeitinho lento e certo o que sobrar do grupo do canarinho. Meu dinheiro está na Coreia do Norte, mas não vi ainda o jogo deles com Portugal, então ninguém pode saber ao certo. O Paraguai deve passar pelo Japão e perder para a Suíça nas quartas. Argentina e Alemanha se pegam nas quartas se a Inglaterra não surpreender e esta será a partida mais disputada de todas até então. Meu dinheiro muda para los hermanos e vai ser uma final louca entre Brasil e Argentina. Vai ser um jogo de gols. Ataques ótimos e defesas meramente competentes, mas eu acredito num 4x3 pro samba. O terceiro vai se decidir entre Suíça e o Uruguai. Esse palpite é longo, mas a Nestlé é muito boa de defesa e agora que conseguiu um atacante vai dar eles.

De resto é aquela história. Os EUA vão tropeçar nas quartas contra a celeste, a Holanda vai perder para o Brasil de novo, a Itália e a Inglaterra vão seguir decepcionando. Os africanos até podem ver um deles nas oitavas, ou mesmo dois. Gana e Costa do Marfim, mas nenhum dos dois segue para as quartas.

E é isso. A menos que alguém muito importante não jogue, a copa deve seguir este curso. E vamos torcer porque a final vai ser incrível. Maradona pelado nem pensar. Vamos lá Dunga!!!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Sempre Coca Cola

Pois, bem.

A política contemporânea me entristece.

Não como um almoço no Armazém do Sabor me entristece, com só uma nota de arrependimento, mas como as grandes injustiças entristecem quem tem alguma consciência.

Nos próximos meses começamos uma nova viagem no mundo insano da campanha eleitoral. Não falo do horário político na TV, que não sei quem assiste, e que pode conter quaisquer distorções loucas sem credibilidade. Falo do merchandising eleitoreiro, das técnicas nem tão subliminares de coerção do eleitorado. Falo principalmente das alianças entre mídia e posição política.

Não assista TV. Você está sendo enganado.

Naturalmente é impossível manter a posição política longe do texto informativo. A própria seleção da matéria é uma decisão posicionada. Posso citar a Zero Hora que assino, cuja matéria de capa na segunda ou na terça dessa semana foi sobre a declaração obviamente magoada de Ciro Gomes afirmando que José Serra seria mais preparado para ser presidente que Dilma R. Claro que não foi Zero que colocou isso na capa, mas certamente foi a que mais conseguiu passar a impressão de que aquilo era uma constatação dos fatos ao invés de uma mera opinião de um político.

Se você quer saber o que eu penso. Serra pode ser bem competente, mas o seu alinhamento liberal simplesmente não serve para o Brasil de hoje. Se a descoberta do Pré-sal é indicativo, Dilma tem muito mais capacidade de lidar com situações delicadas de base nos assuntos sociais e econômicos, ao contrário do que afirma o tal Ciro.

Fora isso. Serra vai, sem a menor sombra de dúvida, congelar a expansão dos serviços públicos. Chega de concursos e bons salários. Se ele ganhar, daqui a 4 anos veremos a concorrência diminuir barbaramente, e com isso, a qualidade do servidor também. Eu acredito com toda minha força que a valorização e ampliação dos serviços públicos é a melhor forma de distribuição de renda (depois da reforma agrária) e é um dos maiores avanços do governo atual em relação a FHC e Collor. Além de outras inúmeras coisinhas, como a inclusão digital, que são marcas dos governos do PT e PC do B.

É só a minha opinião, entretanto.

O problema todo é que a campanha da mídia dominante a favor de Serra será muito pesada esse ano. Serra tem conexões muito fortes com os caras. A Globo já está atacando, e a Veja colocou o Serra, pasmem, sorrindo na capa inteira esse mês com o Slogan: Serra se preparou a vida inteira para ser presidente.

Se isso não é campanha de uma mídia jornalística para eleger um candidato, eu não sei o que é.

Uma vergonha. Só quero ver o que vão fazer com os debates. Collor vs Lula em 91 vai se repetir.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Nota mental

Antes de ler a postagem de baixo, saiba o fato mais cruel de toda competição injusta e monopólio no mundo.

O dinheiro que você investe comprando MS Windows (quando você compra um PC novo com o SO pré-instalado) é utilizado para impedir o desenvolvimento de novas tecnologias de software através de loby e aquisição em massa (compra de software livre para parar seu desenvolvimento, como a Globo faz com astros de outros canais).

Nenhuma única empresa pode acompanhar o desenvolvimento das alternativas livres, já que estas são desenvolvidas por inúmeras pessoas e outras empresas (como a Nokia e a IBM), que, ainda por cima, amam o que fazem e programam apenas o que gostam.

Os caminhos para a liberdade (Launchpad Bug #1)

Revisando o histórico de visitas ao Crônicas notei uma realidade bem assustadora.

Praticamente todos os visitantes usam Windows XP. Alguns usam o efêmero infame Vista, e muito poucos usam Linux, qualquer dos seus inúmeros sabores.

Mais do que surpreso, fiquei preocupado com o fato de depois de 20 anos a mesma empresa domine o mercado de sistemas operacionais nos desktops sem concorrência de fato, principalmente porque há alguns 6 anos o produto da Microsoft não é sequer de longe o melhor sistema operacional. Usuário de Linux que sou (Ubuntu), e incrivelmente satisfeito, pergunto-me o que mantém o monopólio do SO de Redmond, em face de outros como o Mac OS X, os vários BSD's e os sabores desktop de Linux, para citar alguns.

Não posso deixar de imaginar que a grande preguiça dos seres humanos é a razão principal.

Examinando a história dos Sistemas Operacionais veremos que o modelo de sistema visual de janelas guiado por apontador da Xerox sofreu pouquíssimas alterações até hoje, depois de mais de 30 anos. Até mesmo os dispositivos compactos seguiram o mesmo modelo. A descrença dos diretores da Xerox foi um erro inestimável para a empresa, mas a Apple, que prontamente copiou o SO visual com janelas, não teve competência para preencher os nichos - seja por orgulho técnico - seja por que não notaram a existência deles. A IBM demorou demais, como sempre, e lá estava a incipiente Microsoft, com seu insuperável gênio dos negócios, Bill Gates. A empresa de Redmond copiou o sistema da Apple, lançou antes, com hardware mais barato (da NEC), e deu um nome ridículo. Pronto, foi o suficiente para ninguem mais querer trocar de sistema até hoje. Creio que daí que surge o bug nº 1 do launchpad.

Mudar de sistema implica mudar de aplicativos. Embora as pessoas façam isso normalmente de qualquer forma, é muito difícil convencer a mudarem de uma vez todos os aplicativos que usam (que são uns 3 ou 4). Imagine só a loucura. Além disso, será que os meus arquivos vão abrir nesses aplicativos hippies desses sistemas excêntricos?

Além da preguiça há esse medo, claro, infundado. Os programas são praticamente os mesmos. Só a Microsoft se nega a suportar os formatos livres, nem mesmo PDF abre em seu pacote Office. Com o SO de Redmond é .doc ou morte.

Desta mistura de ignorância com preguiça e medo vêm a dominante posição do Windows. O efeito colateral mais nefasto de todos é ainda que praticamente todos os fabricantes de hardware ignoram completamente qualquer outro sistema. Drivers para Linux tem que ser escritos pelos próprios mantenedores do sistema. O ser humano não conhece limites para sua estupidez.

Dê uma chance ao pinguim. Grave um Ubuntu em um CD e experimente, não vai fazer nenhuma alteração no seu PC.